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Mulher uma fortaleza que se chama
Inajara
Primeiro Capítulo
Ao cair da tarde ensolarada de verão, nascia uma bela menina de pele morena com cabelos negros como as asas de uma graúna. Seus
Olhos eram verdes como as matas.
De família numerosa, era a caçula de oito irmãos. O tempo passava e a menina ia tomando forma de uma das mais belas mulheres que já se vira. Alta esguia, o corpo escultural, andar macio e gracioso, lembrando o andar de um felino.
Com o tempo, Inajara que a todos encantava, mostrava-se uma das mais brilhante aluna do curso de medicina. Seus professores admiravam sua inteligência. Ao terminar o curso, como a primeira da classe; sua família, como prêmio, presenteou-a com um consultório, num bairro humilde.
Inajara se destacava como uma das principais médicas do lugar. Pela sua competência e bondade, a todos atendia com carinho e destreza. Duas vezes por semana atendia as pessoas que não tinham posses, do mesmo modo que atendia a quem podia pagar.
Um belo dia ao ir para casa, no ponto do ônibus, observou, uma senhora sentada com uma criança no colo, ao vê-la chorar, perguntou-lhe o que estava acontecendo, a senhora mostrou-lhe a criança que encontrava-se febril e tossindo muito, chorando, disse não ter dinheiro para levá-la ao médico. Inajara, imediatamente, pegou-a pelo braço e as conduziu até o consultório. Ao chegarem lá, Inajara examinou a criança e descobriu que ele encontrava-se com pneumonia, e passou a noite ao lado da criança, enquanto a mãe, abatida pelo cansaço das noites sem dormir, havia adormecido no sofá da ante sala do consultório. Ao clarear, a jovem doutora, abatida pela luta que teve durante toda noite para controlar a febre da criança, que finalmente havia cedido, dando ao rosto vermelho uma cor rosada e serena.
Ao despertar, a mãe soube, que o filho já se encontrava fora de perigo, porem, deveria continuar o tratamento durante algum tempo, indo ao consultório para exames e buscar remédios.
Satisfeita com a melhora do menino, Inajara sentiu-se revigorada, e começou a atender as pessoas que encontravam-se a espera na fila que se formava do lado de fora da porta do consultório. Já passava do meio dia quando ela terminou de atender o ultimo da fila.
Era um início de tarde muito bela e ensolarada, e olhando pela janela do consultório, percebeu que a imagem das arvores refletiam nas águas do lago que havia atrás do consultório, ali permaneceu durante horas sem perceber que a tarde se estendia, quando se deu conta o crepúsculo da tarde , uma imagem inenarrável.
Ao ver o céu azul avermelhado que se punha ao fundo, ela resolveu, passear pelas margens do lago; fechou o consultório e dirigiu-se ao lago. Tirou os sapatos, e pôs-se a caminhar pelas margens, sem perceber que ao longe, uma senhora, de estatura muito baixa, a observava, desta forma continuou a caminhar a jogar pedras, que apanhava no chão , como uma criança.
Acabou por esbarrar naquela pequena criatura ali parada, e se assustou.
__ Desculpe-me, eu não havia percebido a sua presença , por alguns momentos ela se perdeu a olhar aquela criatura de vestido marrom até os pés , na fronte, o desenho de uma pequena lua crescente reluzia com a luz da lua cheia que despontava no horizonte.
A pequenina senhora a olhou profundamente, que Inajara se estremeceu; calma minha filha, falou a estranha, não se assuste, só quero dar uma pequena sugestão a jovem doutora, dedique-se ao estudo das ervas, ou melhor , ao estudo da medicina das ervas, a fito terapia, pois ela ainda vai lhe ser de muito valia .Pois a menina através delas vai conseguir muita cura. Quero alertá-la, muito em breve seu nome será falado em todos os lugares e que receberá um convite para viajar por varias partes do mundo. Numa dessas viagens acontecerá algo que a fará usar as ervas para a cura de pessoas que a jovem nunca imaginou existir.
Neste instante Inajara, como que se desperta de um sonho, ao perceber, o que estava acontecendo, procurou a senhora e não mais a viu, só então percebeu que era uma alucinação, um delírio, devido ao cansaço da noite sem dormir.
O tempo foi passando e a cada dia o consultório tornava-se pequeno para o número de pessoas que lá apareciam.
Um belo dia a doutora recebeu de um paciente como agradecimento pela cura de um de seus filhos, um livro de ervas, imediatamente se recordou das palavras da senhora do lago com ao anoitecer, pegou suas coisas encima da mesa e foi para casa. Ao chegar em casa, tomou um banho, colocou uma roupa leve e abriu a janela do quarto para refrescar, deitou-se quem havia sonhado. Agradeceu o livro, e o colocou sobre a mesa enfrente a janela de maneira que a luz da lua refletia bem em cima de seu corpo. Ficou alguns instantes a admirá-la.
Pegou um pacote de exames que precisava examinar, só então percebeu ter trazido junto com o pacote o livro que havia ganhado, por curiosidade, começou a lê-lo de maneira bem superficial; acabou por se interessar, e leu todo o livro. No dia seguinte buscou se aprofundar no assunto procurando novas literaturas de medicina das ervas..
Com o decorrer do tempo, ela teve que deixar os estudos, pois o consultório e o pequeno hospital que havia criado, com ajuda dos comerciantes do local, no qual atendia sem nada cobrar as pessoas, tomava todo o seu tempo disponível.
Inajara, em sua simplicidade e meiguice, levava a vida a trabalhar sem se importar a quem ajudar. Ao anoitecer, ela recebe a visita de um porta voz da Presidência da República para convidá-la a ir ao palácio do governo pois o presidente queria ter com ela. No dia seguinte a jovem atendeu a convocação e compareceu na hora marcada, com muita alegria ela foi convidada a ser Ministra Extraordinária de saneamento e saúde de seu governo. Prontamente ela aceitou o convite porem com a condição de não deixar de atender seus doentes carentes.
Sua posse foi coberta de grande festa pela população que tanto a admirava.
Com o passar do tempo seu trabalho junto a população de baixa renda, começa a surtir efeito, e seu Ministério passa a ser um dos mais importantes, gerando assim , inveja por parte de outros ministérios, que por incompetência administrativa, fracassavam.
Numa reunião geral de governo o Ministro da Reforma Agrária, que não havia nada feito, tentava por meios escusos, tentava derrubar aquela mulher que tanto se sobre saia no governo.
Porem a simplicidade de Inajara falava por si só; e todos os esforços do seu colega da reforma agrária para derrubá-la não conseguia.
Numa rápida explanação o Presidente fazia o balanço do ultimo ano de seu governo, mostrando os ministérios que mais se destacaram, e os que nada fizeram. Inajara era a que mais havia feito, e, por este motivo, recebia a maior parte das atenções do Presidente, e recebeu de suas mãos a maior condecoração do País, A medalha da Estrela Guia.
Ao falar sobre cada um dos Ministérios, mostrou sua repulsa pelo ministro da reforma agrária, pois ele nada havia feito, e, seu ministério era o que mais gastava, mostrando sua raiva, o Ministro tenta uma ultima cartada contra Inajara, mas seus planos não surtem efeito, e a ele só resta pedir demissão. O Presidente aceita e no mesmo momento nomeia um ministro interino, a reunião è encerrada e o ex. Ministro jura que se vingara do Presidente e principalmente de Inajara.
Inajara começa a receber convites para mostrar seu trabalho junto ao governo , em outros Países, e assim dá-se início a uma série de viagens, como havia previsto a Senhora do Lago.
Sem se conformar com o sucesso do governo, o ex. Ministro, resolve atacar a maior estrela.
Inajara viajaria para uma convenção fora do Pais sobre Saúde pública. No dia seguinte Inajara e sua comitiva embarcam no avião presidencial e quando sobrevoavam uma grande mata a aeronave explode e cai sobre um local no qual ninguém havia penetrado devido ao seu difícil acesso.
Instala-se um clima de pânico no governo e no País, as buscas se iniciam a procura de sobreviventes, dias se passam e não se consegue achar o local exato da queda do avião. Finalmente o governo da como desaparecida a ministra e sua comitiva, e decreta luto oficial.
Muito abalado, o Presidente perde o controle do País e o cos se instala. A saúde è abandonada es doenças epidêmicas se espalham e outras já extintas voltam a aparecer.
Depois da queda, Inajara consegue sair do avião e percebe que è a única sobrevivente, muito machucada e sem forças, ela caminha em direção ao lago que está ali perto sem perceber que esta sendo observada pela Senhora que havia feito a profecia; Inajara desmaia e è levada.
Ao despertar, encontrava-se em uma casa muito simples de pau a pique, cercada por duas mulheres morenas de olhos muito verde que pareciam refletir a cor das matas que Inajara podia ver através da janela aberta.Tentou se levantar, mas foi impedida por uma das moças que com voz suave falou:
__Não se levante, ainda está muito fraca precisa se fortalecer primeiro. Uma tanto atordoada, e realmente fraca, não hesitaram em obedecer aquela tão meiga criatura.
Inajara recostou-se e ficou a observar as duas mulheres que ali permaneciam a cuida-la. Enfermeiras não poderiam ser, pois eram muito novas . Após alguns minutos uma delas se retirou e Inajara pode ver que elas eram tão baixas quanto a senhora do lago de anos atrás, e que usavam roupas até os pés recobertas por um avental de um tecido nunca põe ela visto. Ficou quieta, assustada, a observar.
Quando o sol já ia alto a mocinha retornou trazendo em suas pequenas mãos uma tigela de barro, porem muito bem feito, e a sua beleza e simplicidade chamavam a atenção. A mocinha se aproximou e pediu que ela se senta-se, e a serviu um caldo grosso de muito bom sabor, ele estava quente, que ao chegar ao estômago a aqueceu. Ao acabar pode perceber que a moça era uma menina de no máximo uns treze anos.
Inajara tentou falar, e a menina fez um sinal com o dedo para que não se fizer a outra moça que parecia ser mais velha, então lhe falo suavemente:
__A Senhora esta muito fraca, procure repousar, já avisamos a nossa Senhora, e dentro em breve ela estará aqui para falar-lhe .
Passaram-se vários dias, até que Inajara restabelecida pode sair da cama e caminhar pelo quarto. Logo após se levantar, chegaram duas sacerdotisas, era assim que eram chamadas as meninas, carregando uma grande tina feita de tronco de arvore, escavada
no meio; outras carregando baldes feitos de cobre com água dentro que fumegavam, colocaram
a água dentro da tina e logo em seguida ervas que perfumaram todo o quarto. Retiraram as roupas de Inajara e a conduziram até a tina e deram-na um perfumado e confortante banho. Ao Acabar o banho, deram-lhe roupas limpas que deviam ter sido feitas para ela , pois todas ali eram muito baixas, sentaram-na em um tronco e com cuidado, pentearam seus cabelos e depois o prenderam enfeitando-os com uma tiara feita de ossos, um trabalho artesanal muito bonito.
Inajara foi conduzida até o lado de fora, e pode ver que o céu naquele lugar era muito mais azul do que o da onde viera. Assustada, pode perceber que ali tudo brilhava com muita intensidade, estaria ela morta e realmente haveria outra vida após a morte? .
Quando percebeu estava parada junto a entrada de uma gruta, e de dentro dela surgia a senhora que a anos atrás a abordara na beira do lago.
A Senhora fez um sinal e as sacerdotisas condisseram-na para dentro da gruta, lá ela pode perceber, que aquele lugar era como uma casa, e que ao fundo havia uma outra entrada iluminada por tochas presas a parede . No primeiro cômodo uma mesa feita de bambus, com cadeiras e bancos confeccionados do mesmo material; do outro lado, via-se uma espécie de poltrona , que mais parecia um trono, feito pedras, e ao seu lado um pequeno sofá de pedras e recoberto por almofadas feitas de couro de bichos e recheadas com penas de aves.
Com um gesto a Senhora a conduziu até o sofá, fez um gesto e as sacerdotisas se retiraram.
Creio que você deva estar curiosa com este lugar, com a minha presença, afinal eu a anos atrás a abordei e lhe preveni que tudo isto iria acontecer.
Com um gesto de cabeça, Inajara fez que concordava, pois bem, eu sou a Senhora das Matas, Sacerdotisa da grande Deusa das matas, que em união com o grande Deus da criação deu origem ao mundo em que vivemos.
Aqui cultuamos a Grande Senhora, as Fadas e os Duendes que estas matas habitam. Você sofreu um acidente, e por obra da Grande Deusa, a menina não veio a sucumbir, pois a sua missão è muito árdua, mais depois eu lhe direi qual será. Você deverá permanecer aqui e dar continuidade de seus conhecimentos com as ervas, para que depois do aprendizado possa dar continuidade a sua missão.
Inajara, surpresa com tudo que estava acontecendo, perguntou:
__ Senhora, do acidente eu me lembro, só não compreendo, como cheguei aqui, e que lugar è este que nunca ouvi falar?
__Calma, eu sei que tudo que esta acontecendo, è difícil de entender, mas com calma eu lhe contarei tudo, e responderei a todas as suas perguntas. Bem, Você foi vitima de um acidente provocado por pessoas inescrupulosas que queriam vê-la fora do governo. Mas com as graças da Deusa, nada lhe aconteceu, e você foi conduzida até aqui pelos duendes das matas.
__ Tudo isto è por demais fantasioso, não ha coerência, fica muito difícil para se aceitar tal coisa.
__ Vamos fazer o seguinte, vamos almoçar, e depois descansaremos, e com um bater de palmas, as meninas entraram e colocaram a mesa.
Ao acabarem, Inajara foi conduzida a um dos quartos, no qual iria ficar durante sua estada. Ali permaneceu até o dia seguinte, logo ao amanhecer, foi acordada por uma sacerdotisa de aparência mais velha que lhe disse:
__ Sou a governanta da Senhora, estou aqui para servi-la, a senhora me designou para mostra-lhe tudo por aqui, mas primeiro vamos tomar nosso café.
Ao sair do quarto, deparou-se com uma mesa repleta de frutas e pães, e algumas iguarias que nunca havia visto. Sentou-se e calmamente tomou seu café, enquanto as meninas andavam de um lado para outro a fazer os serviços da casa.
Ao acabar o café, ela saiu a passear pelos belos caminhos daquele lugar tão estranho. Caminhou pelo pomar que exalava um perfume suave de frutas tão conhecidas, o cheiro de caju lembrava a sua infância, como o dia que subiu no pé que havia no quintal de sua casa, e ali saboreou a fruta.
Sem que ela percebe-se, a senhora se aproximou e com todo cuidado a tocou no ombro.
__ Te assustei minha filha? Inajara virou-se, e a senhora falou:
__ Não senhora, estava a me recordar da minha infância, e, a pensar em tudo que me falou ontem.
__Pois bem è chegada a hora de conversarmos, venha comigo, e conduzindo-a pelas mãos até uma clareira na qual havia uma grande pedra que parecia um grande altar.
As duas se sentaram, e a senhora começou a narrativa:
__ No dia em que você nasceu, as conjurações astrais, a fizeram herdeira do conhecimento. Não neste mundo mágico, e sim no mundo normal.
Neste momento, ela fez um gesto e na grande pedra, surgiu imagem de indígenas trabalhando, assustada Inajara perguntou:
__ Como posso vê-los, essa pedra è um espelho?
__ Não, não è um espelho, è a pedra da visão, na qual pessoas como eu , algumas das minhas meninas e você, podemos ver através dela. Esta è a magia das matas.
Durante muito tempo elas ali permaneceram com a senhora tentando explicar a ela qual era a sua missão, mas ela relutava em aceitar. Porem Inajara concordou ali permanecer e aprender a lidar com as ervas medicinais.
Inajara se retirou, deixando a senhora só; quando ela se afastou a pedra da visão refletiu imagens do futuro de Inajara. Ela pode observar que a sua protegida ao sair de lá passaria por provas na qual ela sofreria e cresceria. O tempo foi passando e Inajara a cada dia tornava-se uma aplicada sacerdotisa.
Numa manhã, a senhora levantou-se antes do sair do sol pegou seus instrumentos
de magia, foi até o lago, encheu um pote com água e se encaminhou para a pedra da visão.
Ao chegar lá, arrumou os instrumentos mágicos, desenhou com pólvora um circulo no chão, salpicou água no espelho da pedra e deu inicio a conjuração sagrada.
__ Em nome do grande Deus das Matas, invoco poder da terra;
__ Em nome da grande Deusa da criação, invoco o poder das águas;
__ Em nome do grande casamento da criação, invoco o poder do fogo;
__ Em nome dos frutos do casamento da criação, invoco o poder do ar;
__ Com a união dos quatros elementares, peço que me permitam o poder da visão, e acendendo o circulo de pólvora, aguardou, a fumaça subiu, e tomou toda a frente do espelho da pedra, conforme a fumaça se dissipava ia surgindo imagens no espelho da pedra.
A primeira imagem que surgiu era de Inajara, logo após surgiram imagens de Inajara e dos Guaiunas juntos trabalhando. A imagem se desfez logo que os primeiros raios de sol surgiam no horizonte; a Senhora juntou seus instrumentos de magia, e dirigiu-se a gruta. Ao chegar encontrou Inajara tomando café. Bom dia minha filha, acabe seu café e venha ter comigo na sala do trono.
Inajara, assustada, fez que sim com a cabeça, enquanto terminava pensava o que poderia estar acontecendo, pois só havia visto a senhora tão séria nos momentos de grandes problemas.
Ao chegar a sala encontrou a senhora em seu trono, reverenciou-a como uma sacerdotisa e esperou a ordem de sentar-se. A Senhora mandou-a sentar e com voz firme lhe falou:
__Hoje bem sedo fui chamada a pedra sagrada, e lá pude perceber que è chegada a hora de você nos deixar, você já conhece tudo que um ser das matas conhece sobre ervas medicinais, e
a pedra sagrada me mostrou que hoje começa uma nova fase em sua vida. O que te foi reservado eu não posso dizer, mas a alerto não será fácil, pois a menina terá que cuidar dos Guaiunas . Ao cair da tarde você vira até a pedra sagrada e lá será feito o ritual de passagem para o mundo normal.
Inajara, foi conduzida até o altar da clarear, o caminho era iluminado por tochas, ao chegar, viu a senhora vestida com as roupas de ritual, a cabeça coberta pelo capuz da roupa.
As sacerdotisas deram para que ela bebesse um liquido transparente de gosto um tanto amargo
Depois retiraram suas roupas e a vestiram com uma roupa clara e muito leve, a colocou deitada sobre a pedra do altar.
A senhora deu inicio ao ritual, as sacerdotisas, dançavam e cantavam cânticos que ela não conhecia, ela foi aos poucos adormecendo.
Na terra dos Guaiunas a intensidade do sol e a claridade da lua não permitia que eles dormissem a noite, nem ficassem fora do lago durante o dia, mas durante a noite eles faziam rituais pedindo ao grande Deus das matas que os livrasse daquele castigo.
Naquela mesma noite, um grande clarão se abriu na mata, e os Guaiunas puderam ver, que naquele local uma mulher aparecera. Assustados, eles a levaram para a aldeia e a amarraram em um tronco. Durante vinte um dia e vinte uma noite ali Inajara permaneceu, embaixo de um sol escaldante, e de uma lua muito intensa.
Só assim, eles puderam perceber que aquela mulher só poderia ser uma enviada do grande Deus das matas.
Durante o período em que esteve ali presa Inajara pode entender porque a Senhora a havia ensinado tantas coisas e a feito não só uma sacerdotisa das ervas, mas sim uma completa sacerdotisa.
Ao fim do vigésimo primeiro dia, pode-se perceber que a lua sumira e que a noite tornara-se escura como uma noite de lua nova, e quando o dia amanheceu o sol era fraco e confortante. Com o término do castigo, Inajara foi solta e levada para uma oca, ali foi cuidada pelo pajé e algumas Índias que o ajudavam, quando ela já havia se fortalecido, foi levada e consagrada como a enviada do Deus das matas.
O tempo foi passando e ela passou a cuidar dos indígenas ensinando aos pequenos e cuidando de todos, sua tribo prosperou, passaram a ter mais comidas e até construíram um pequeno ambulatório para Inajara, no qual ela atendia os indígenas da sua tribo e das demais também.
Inajara já falava a língua deles e havia ensinado a eles a sua, só que o tempo foi passando e a civilização se aproximava cada vez mais das aldeias colocando em risco a saúde dos aborígines, e a suas riquezas. Afama de Inajara se espalhava pelas pequenas aldeias que se formavam, ela era tida como uma lenda. Mas os interesses dos poderosos eram grandes e o desmatamento desordenado avançava a passos largos.
Com a presença dos brancos, surgem doenças novas para os indígenas que rapidamente os leva a morte; Inajara torna-se um mito entre ele se passa a lutar contra a presença dos brancos.
Mesmo sem saber, Inajara passa a combater as ações do governo que tenta entrar cada vez mais mata adentro atrás de riquezas. O governo era presidido pelo o ex. Ministro da reforma agrária, que num golpe político, após o desaparecimento dela consegui se eleger.
A fama da guerreira branca, de cabelos negros como as asas da graúna e de olhos muito verdes como se refletisse a cor das matas em que vivia, chega as grandes cidades, e o Presidente se assusta ao saber da lenda da guerreira, pois pode muito bem ser Inajara, e caso seja verdade, o seu governo pode ser ameaçado.
O presidente manda que seus auxiliares busquem a verdade e se possível, caso seja realmente Inajara, que a exterminem.
A confirmação de que era realmente Inajara, ele manda que descubram um meio de destroi-la, pois se a matarem o povo a fará de mártir e eles passariam ater problemas.
Uma comitiva foi formada e mandada até as tribos, e pode observar que graças a Inajara a sua tribo era a mais evoluída, tinham saneamento, falavam a língua dos brancos porem, não perdendo as características de tribo indígenas. E viram que o único meio de afeta-la era atacando os índios que ela chamava de seu povo .
Foi então que começaram a espalhar doenças pelas outras aldeias, Inajara põem em pratica seus conhecimentos médicos e das ervas e consegue controlar as epidemias, e passa a atacar o governo através de artigos que ela própria escreve e manda publicar nos grandes jornais do pais.
Quando o povo descobre que Inajara está viva, desencadeia-se pelo pais, uma campanha de moralização, e o governo cai; è convocada novas eleições e com o apoio de Inajara, è eleito um governo baseado na seriedade e honestidade.
O Presidente convida Inajara a fazer parte de seu governo, mas ela prefere ir viver com os Guaiunas.
O Presidente deposto não se conforma, e seu ódio por Inajara aumenta e resolve tentar destroi-la.
O tempo passa, o governo proíbe a exploração das matas, e baixa um decreto criando reservas para os indígenas. As tribos assim protegidas proliferam e a cultura deles è preservada. Porem as doenças, voltaram a atacar algumas tribos mais distantes e Inajara è chamada e deixa os Guaiunas e vai cuidar dos outros.
Com a partida de Inajara, o Presidente deposto, e seus seguidores, infiltram-se juntos aos Guaiunas, e colocam nas águas do rio onde eles se banhavam o vibrião do cólera. Eles só não imaginavam, que seriam os primeiros a serem contaminados e morrerem. Aos poucos os Guaiunas, foram adoecendo e morrendo.
Quando Inajara foi avisada imediatamente voltou para sua tribo. Passou a cuidar deles com muito carinho e dedicação. Quando já havia controlado a epidemia, ela è chamada ao palácio do governo e è convocada a ajudar a combater as diversas endemias que assolavam o País.
Inajara aceita, e começa a trabalhar e grandes resultados são obtidos; porem atarefada demais ela não se preocupa com os indígenas, e a doença volta e as mortes se sucedem uma após a outra. Ao saber o que estava acontecendo mais uma vez ela larga tudo e volta para tribo, só que desta vez era muito tarde, ao chegar encontra todo o seu povo morto.
Enlouquecida, ela cai de joelhos e pede ao grande Deus das Matas que a leve também, pois não suportaria viver sem o seu povo.
Neste momento o dia escurece abre-se um clarão na mata, e Inajara cai ao chão sem vida.
Após a queda do corpo de Inajara, das matas, pequenos duendes aparecem pegam a jovem coloca em uma padiola e a leva de volta a ilha das fadas. No caminho, Inajara começa a despertar, os duendes da mata dão parara ela beber um liquido claro e amargo, o qual a fãs dormir. Os duendes também são seres mágicos, porem, eles não tem o poder de abrir o portal mágico, e são obrigados a chegarem a ilha pelos caminhos secretos do bosque sagrado.
Ao chegarem a ilha, foram recebidos pela Senhora, que havia visto tudo através da pedra da visão, e os esperava com algumas das meninas.
__Seja bem vindo, já haviam me avisado, ela permanecerá aqui até que tenha condições de retornar ao mundo dela e dar prosseguimento a missão a ela dada.
Quando despertou, o dia já ia alto, e as noviças se preparavam para prestar seus últimos votos para depois se tornassem sacerdotisas. Elas entoavam um cântico que de louvor a Grande Deusa, que havia dado a luz ao filho do Grande Deus das Matas. O cântico dizia que a criança nascera da virgem escolhida que se tornara a Grande Deusa.
Levantou-se bruscamente e percebeu logo a onde estava, sorriu, mas no minuto seguinte sua expressão tornou-se triste. Ao ver a senhora, chorou, e perguntou:
__ Porque, por que, ele não atendeu meu pedido, eu fiz o que ele me mandou, cuidei deles, lutei por eles, fiz deles o meu povo, e todos se foram. Eu queria ter ido com eles.?
__ Se acalme, eu vou te explicar o que está acontecendo!, Porem precisa se acalmar. Preste atenção vá tome um banho confortante e relaxe, depois se alimente, mesmo que não tenhas fome você precisa se alimentar. Depois se recolha aos seus aposentos que uma boa noite de sono irá fazer com que entenda tudo.
No dia seguinte, ela levantou-se muito sedo, mau se alimentou, e foi ter com a Senhora.
__ Bom dia, Senhora, queria saber porque fui trazida para cá outra vez.
__ Bem, não è se alimentando tão mal como fez, que irás dar solução ao seu problema, e foste trazida para cá, pois só aqui podareis aprender a lidar com esses sentimentos ruins, e bani-los do seu coração.
__ Como pode o seu Deus e a Senhora decidir o que devo ou não fazer, e me aprisionam aqui nesta ilha.
__ Calma, abrande essa sua revolta e você não está presa aqui, poderás ir quando quiser, mas a aviso ainda não esta pronta para ir embora. Agora se retire, e reflita, è só isso que precisas.
Inajara reverencia a Senhora e vira-se para sair, neste momento a Senhora diz:
__Escute bem, a pior prisão è aquela que nós mesmos nos obrigamos sem tomarmos conta do que estamos fazendo, e um dia quando menos esperamos levados por baixos sentimentos, nos tornamos prisioneiros de nós mesmos, ai, então, estaremos vivendo numa verdadeira prisão, sem muros e sem grades, mas prisioneiros, de nossos próprios sentimentos.
Agora vá, ande pela ilha, reflita, e caso ainda queira ir embora, esta livre para ir.
Inajara saiu, resmungando, as palavras da Senhora ecoavam em sua mente, mas a revolta era maior, foi para o quarto, pegou uma saca, foi até a as sacerdotisas e pediu alguns alimentos e um vasilhame de água, co9locou tudo na saca, pegou um facão prendeu na cintura agradeceu e saiu.
Começou a andar, as palavras da Senhora ecoavam em sua mente, as imagens dos indígenas mortos não lhe saia da memória, estaria ela ficando louca, não , só estava confusa, precisava ir embora, ficar só, mas não em um quarto, mas num lugar isolado. Então resolveu ir embora sem ajuda de ninguém, e embrenhou-se pela mata.
Depois de caminhar por algum tempo, chegou a uma encruzilhada, local já conhecido, pois por várias vezes, foi com as sacerdotisas catar ervas. Olhou e resolveu pegar o caminho oposto ao
que seguia normalmente. Caminhou por algumas horas, e pode perceber que andava em círculos e que permanecia na ilha, sentou-se em um tronco de arvore para descansar, neste momento pode observar, que a sua frente havia uma pequena choupana de pau-a-pique, recoberta de palha. Caminhou até lá, bateu a porta, e percebeu que a choupana estava abandonada, entrou colocou sua coisa sobre a mesa de pedra que havia no meio do cômodo, saiu pegou alguns galhos e voltou e acendeu o fogão.
Caia a noite e o frio chegava, com o fogão aceso a aquecia, ferveu água, fez um chá e tomou junto de um pedaço de pão que trouxera da casa da Senhora. Depois deitou numa esteira de palha junto ao fogão e cobriu-se com seu xale, e ali permaneceu até adormecer.
No dia seguinte, despertou o sol já estava alto, e a sua frente sobre a mesa um farto café da manhã, regado a muitas frutas, mas quem poderia ter colocado tudo aquilo ali, de certo deveria ter sido alguma sacerdotisa a mando da Senhora. Seu estômago doía de fome, levantou-se e comeu até ficar satisfeita. Arrumou-se e saiu a caminhar.
Apressada, caminhava sem prestar atenção a onde estava indo,
E que estava sendo seguida. De repente deparou-se com um pequenino riacho que por ali passava, foi até as margens, e abaixou-se para beber um pouco de água, só ai percebeu um pequeno vulto atrás dela, fez menção em reagir, só então, viu que estava cercada por vários homenzinhos, que para ela apontavam suas lanças. Inajara levantou-se lentamente até ficar de pé, um deles, na língua dos Guaiunas perguntou quem era ela, respondeu que era chamada pelos Guaiunas de Grande Deusa da cura. O homenzinho respondeu que não acreditava nela, pois ele sabia que a Deusa havia desaparecido quando eles morreram.
Com um gesto, mandou que a conduzissem até a tribo para que decidissem se ela seria ou não sacrificada ao grande Deus sol.
Ao chegarem a tribo amarraram-na e ali ela permaneceu até o
Cair da tarde, no início da noite, o conselho da tribo, reuniram-se
Para decidir se ela irá ou não ser sacrificada. Um dos conselheiros
Dirigiu-se a Inajara e fez perguntas que ela prontamente respondeu,
os conselheiros se afastaram para decidir .
Ao amanhecer, eles decidiram que ela seria sacrificada, dentro de três dias, e que ela deveria ali permanecer só recebendo água.
A revolta de Inajara aumentava cada vez mais e as palavras
Da senhora ecoavam em sua mente, "a pior prisão, é a que nós nos aprisionamos através dos nossos sentimentos ruins, e só nos libertamos desta prisão, quando varremos de dentro de nós tais sentimentos."
As palavras se repetiam até que ela entender o seu significado. No decorrer do segundo dia, ela percebeu um grande corre-corre na oca do pajé, era a filha que se encontrava muito doente, e o feiticeiro não conseguia cura-la! Todos se aproximaram e ela disse ao pajé, que fizesse uma mistura de ervas e desse a menina, e ela foi curada.
O Pajé fica impressionado, e diz ao conselho que Inajara deve
Ser solta, porem o feiticeiro convence ao conselho que devem manter o sacrifício. Ao anoitecer, o Pajé , solta Inajara e manda que fuja, ela é perseguida pelos guerreiros e quando eles a iam matar, surge a grande senhora seguida das sacerdotisas e dos duendes das matas, todos se ajoelham perante a Senhora, ela estende a mão, e conduz Inajara de volta a ilha pelo portal mágico.
Ao chegarem a ilha Inajara notou a presença de um homem que aguardava a Senhora na entrada do caminho que levava a gruta, estranhou, pois no período em que esteve ali, nunca um homem tinha sido visto, só duendes quando a Senhora precisava de serviços especiais.
A senhora mandou que levassem Inajara para os seus aposentos e foi ter com o desconhecido. Inajara pode observar que se tratava de um belo rapas alto de cabelos louros e olhos muito azuis, mas foi se recolher como foi determinado pela Senhora.
Curiosa, Inajara, passou a andar de um lado para outro tentando saber quem seria tal criatura. Sem perceber que A Senhora entrara no quarto, deparou-se com ela , e assustou-se , gritou, a Senhora pediu-lhe calma, e disse:
__ Descanse, a manhã teremos que conversar, a e o rapais è filho de um dos seguidores do grande Deus, e veio aqui cumprir o destino que a ele foi reservado.
No dia seguinte, ela foi chamada a presença da Senhora , ao chegar, foi logo dizendo:
__ Me desculpe Senhora, agora percebi o quanto preciso aprender aqui.
__ Então decidiu ficar, ótimo, mas deverá permanecer na casa das noviças, e servir o Grande Deus até que eu decida quando è o momento de retornar ao mundo real.
Inajara concordou, foi então levada a casa das noviças e lá fez seus votos até se tornar uma sacerdotisa. Um ano se passou, Inajara saia do voto de silencio, e passava a servir a Senhora, quando foi notificada que deveria comparecer a sala do trono, pois a Senhora queria falar-lhe. Imediatamente atendeu o chamado.
__ Minha filha, è chegada a hora de nos deixar, esta manhã pude ver na pedra da visão que deves partir, porem deveras prestar um juramento:
__ Qual Juramento minha Senhora?
__ Lembra do rapas que vistes aqui, pois deveras se casar com ele, e terás duas filhas, e a segunda deverá ser criada aqui na ilha, você concorda?
__ Esta bem, mas ele, vai concordar com isso?
__ Sim, ele foi preparado para isso, e juntamente com você irá dirigir o seu mundo.
Uma semana se passou, e os preparativos do casamento andavam a todo vapor.
Inajara, conhecia seu futuro marido, e a cada dia, passava a admira-lo mais, no fim da semana, ela foi levada para a casa das sacerdotisas, aonde permaneceu isolada de todos por três dias , em meditação
e fazendo jejum. Finalmente è chegado o grande dia, as meninas levam a tina de banhos para a casa e preparam um banho de ervas muito perfumadas e relaxantes, Inajara toma o banho, è vestida de noiva
e è levada até a pedra onde è feito os rituais sagrados.
Ao chegar lá, percebeu, que o local estava repleto, de sacerdotisas, que cantavam um belo cântico de louvor aos grandes Deuses das matas, lá estavam os Duendes as Fadas e alguns chefes indígenas.
Caminhou até a pedra, foi recebida por Renato que a conduziu até o altar ali criado para o casamento, onde a Senhora os esperava. Deram as mãos e a Senhora deu inicio a cerimônia invocando a força dos quatro elementos da criação, depois invocou o Grande Deus da união, e por fim a Deusa da criação; cobriu as mãos dos dois com um pano branco, ungias com um óleo amarelado, e pronunciando almas palavras os abençoou, depois pegou duas coroas feitas de flores e colocou sobre
a cabeças dos dois.
Assim deu finda a cerimônia, e o início da festa. Canções e danças foram iniciadas e a primeira foi a valsa dos noivos. A festa regada a muito vinho de Maçã, feito na ilha pelas mãos das sacerdotisas, e muita caça e frutas, durou toda tarde até o anoitecer, quando a Senhora chamou os noivos, e deu início ao ritual de partida, eles beberam o liquido branco, Inajara recebeu das mãos da Senhora seus apetrechos de magia, e deitou os dois sobre a pedra até eles adormecerem.
No dia seguinte, quando acordaram, eles estavam do outro lado da passagem, e lá um grupo de duendes os esperavam e os conduziram até fora da mata para que eles seguissem o seu destino.
Ao chegarem em casa, Inajara soube que seus pais e irmãos haviam morrido, a cólera
estava a dizimar uma grande parte da população.
Seu posto de saúde encontra-se abandonado e as pessoas sem a menor assistência,
ficou assustada, porem nem ela nem Renato, se abalaram, resolveram então, arregaçar as mangas e começarem o trabalho , e foi o que fizeram.
Renato que também era médico sanitarista se revezava nos plantões com Inajara, e assim tudo voltava ao normal no posto.
A novidade logo se espalhou, e a notícia de que a doutorinha do povo, era assim que ela era chamada, havia voltado e com ela um médico novo, que era marido dela. Filas enormes passaram a ser formar a porta do pequeno ambulatório, e através das ervas ia fazendo com que a saúde da população local melhora-se, algum tempo depois, a notícia se espalhou pessoas do partido do antigo governo, vão ao encontro deles e os convidam a entrarem para o partido, eles aceitam e logo
após a filiação, eles convidam Inajara a ser candidata a prefeita da
cidade, ela agradece, mas não aceita, porem sugere que seu esposo seja o candidato e ela a vice. Eles aceitam e as candidaturas são homologadas.
O tempo foi passando as eleições se aproximando porem,
Inajara não se afastava do ambulatório, e cada vez mais o povo a adorava, ela já era chamada de a grande mãe dos pobres. As vésperas das eleições, Inajara descobre que esta grávida e fica feliz.
Porem não se afasta da campanha, nem do ambulatório, os dias passam e finalmente chega o dia das eleições, por onde Inajara e Renato passam são ovacionados.
Os dias passam e o resultado sai, Renato é eleito Prefeito.
Renato e Inajara tomam posse e dão posse ao secretariado, o tempo passa e o governo municipal começa a se destacar, principalmente pela secretaria de saúde e saneamento, a qual resolve os problemas dos mais pobres, que passam a ter saúde e a trabalhar com mais afinco, o município com isto prospera grandes empresários transferem suas empresas para o município,
começa uma nova etapa do governo, o povo passa ter emprego e arrecadação aumenta. Inajara se afasta para ter neném e Renato passa a governar sem ela.
Inajara da a luz a um belo menino, durante quatro meses
Ela se dedica só ao filho, Renato se desdobra para dar conta das tarefas de prefeito, e as palestras que é convidado a dar sobre o plano de saneamento público que Inajara criara. No final do primeiro ano de governo, Renato e Inajara são convidados a darem uma palestra no exterior, Inajara ao ler o convite, imediatamente, tem a lembrança do acidente que sofreu quando era Ministra e recusa o convite. Mais um ano se passa e a dupla de administradores são considerados os principais candidatos a sucessão presidencial.
O sucesso deles começa a incomodar aos grandes coronéis que mandavam no país e se sucediam nos governos um após outro e só aquela mulher poderia levar perigo a eles.
Ao final do governo de Renato e Inajara, eles resolvem indicar um dos seus secretários a prefeitura, um jovem rapas criado na ilha das matas o qual foi eleito juntamente com os seus pares da ilha como vereadores. Inajara, afastada da política dedicava-se só ao ambulatório.
Renato dedicava-se a política e ao ambulatório, para sua surpresa, Inajara engravida e desta vês, a gravidez, se complica e ela
é obrigada a permanecer de repouso até o final, a grande senhora é chamada pois o parto se complica. A senhora chega e diz que ela deve ser levada para o hospital, pois já havia visto na pedra da visão e ela deveria ser operada, pois daria a luz a duas meninas.
O parto feito por um médico indicado pela senhora, é feito e as meninas nascem bem, porem Inajara após o parto, passa muito mal, e só aceita ser tratada pelas ervas da ilha. Ela e a senhora são levadas para a ilha e lá, ela é cuidada pela senhora.
Sozinho, e inseguro, Renato permanece na cidade, militares, revoltados com os desmandos do governo levam Renato.
A ir para as ruas incitar o povo contra aquele governo.
Na ilha Inajara se recupera, e sabe pela senhora que uma das meninas deverá permanecer lá com ela, Inajara concorda, e a segunda que nasceu, leva o nome de Arajane, Inajara se recuperava muito bem, uma manhã, passava pela pedra da visão, e para sua surpresa, a pedra mostra imagens de Renato na rua a gritar palavras de ordem contra o governo. Assustada, ela corre até a senhora.
Senhora, Senhora! Grita Inajara, a pedra, ela me mostrou,
E com toda serenidade que lhe era peculiar, a senhora falou:
__ Então a hora da verdade finalmente chegou!?, Fique calma, eu vou te explicar o que está acontecendo. Quando nós a trouxemos para cá ele ficou sem rumo, os militares, que queriam o comando do país, o levaram a ir as ruas, para tentar levantar o povo contra o governo, porem, ele sem você, não ira conseguir nada, mas quando for chegado o momento certo, você irá para lá. Neste momento, ele e o menino, serão trazidos para cá, pois os militares radicais irão tomar o poder e quando o povo que sofrerá muito se revoltar, vocês voltaram e nos braços do povo chegaram a presidência.
O tempo foi passando, os militares deram o golpe e assumiram o comando da nação. No início, a situação é de controle,
Eles mudam a moeda do país, lançam um plano econômico que segura a inflação homérica, e a leva a patamares bem baixos. Porem, esta situação não dura muito, e a situação piora, os planos se sucedem e a inflação dispara. O povo que sofria, começa a clamar pelos pais do povo.
Na ilha , Inajara e Renato são chamados a presença da
Grande Senhora, ao chegarem lá, ficam sabendo que a hora de voltar era chegada, ela diz que eles devem se preparar, pois deveram levantar não só o povo, mas também os verdadeiros Militares pois sem o apoio deles eles não chegarão a lugar nenhum. Porem, eles terão que ter Serenidade, e muita firmeza para chegarem ao objetivo deles.
O casal e os filhos, o menino e uma das meninas são preparados para o ritual da passagem pelo portal, e são mandados, para a casa do casal. Ao chegarem, se assustam com o que vêem, um país entregue ao caos; sujeira por toda a parte, mendigos pelas ruas, pois não há moradias, e os poucos que conseguem local para morar, pouco conseguem para comer, as escolas que funcionavam , fornecendo ensino, merenda , foram fechadas e o analfabetismo, aumentava no pais.
Revoltados, Inajara e Renato, procuram seus correligionários, e são recebidos com muito carinho e esperanças, alguns militares, ao saber do retorno dos dois, imediatamente os procuram, e , se colocam a disposição para que eles consigam chegar ao governo, pois só eles terão condições de levantar o povo e derrubar o atual governo.
Inajara começa juntamente com Renato a fazer comícios, e por onde eles passam, levantam multidões, e na caminhada que fazem, que o povo passou a chamar de marcha para o poder, eles, arrebanhavam as multidões, Ao chegarem a capital, já eram seguidos por milhares de populares e também por militares que revoltados com os que governavam, aderiam a marcha pacífica dos dois.
Quando chegaram ao palácio do governo, o presidente,
e seus assessores já haviam fugido, e a convite dos militares que assumiram as forças armadas do pais, assumem o governo da nação.
Renato é empossado presidente, (a pedido de Inajara), e ela, assume a vice-presidência, e também, o ministério da saúde e saneamento público.
Em seu pronunciamento a nação, Renato anuncia, o seu Ministério, com elementos vindos da ilha das matas, e promete a nação reverter a situação em que se encontra o pais, pede que o ajudem tendo paciência, e também , ajudem a cuidar dos mais miseráveis. Anuncia um plano de emergência, e a moratória das dívidas internas e externas do país. Lança um plano econômico e leva o país a calmaria.
O tempo passa, o país começa a mostrar sinais de recuperação, com o país saneado, não só , nas finanças, mas também as cidades, e logradouros, as escolas voltam a funcionar, e novas são construídas, um plano de alfabetização de adultos é lançado com muito sucesso, um programa para pessoas de baixa renda, é implantado, e leva a população a melhora de vida.
O plano de Saúde pública de Inajara, leva o governo a concretizar, um dos maiores planos de saúde pública do país, na construção de grandes hospitais nos estados, e pequenos ambulatórios nos municípios.
Com o sucesso do governo, Renato, anuncia o início do pagamento da dívida externa do país, com isto, o pais passa a ter prestígio no exterior. Com o pagamento da dívida, os investidores internacionais, procuram o país para investir os seus negócios e começa uma corrida de investimentos dentro do país e dá-se início ao plano de crescimento do país.
Com o crescimento econômico, a população, passa ater mais poder de compra, e o país começa a crescer, a tranqüilidade finalmente chega, neste momento, Renato é chamado a ilha, porem não atende, por entender que não há necessidade de apelar para a magia daquele lugar.
Mais um ano se passa e tudo continua a caminhar bem,
Renato, sempre ouvindo Inajara, que o aconselha a finalmente entregar o governo do país nas mãos do povo que é o verdadeiro dono, e que depois de tudo que fizeram, já tem condições de dirigir o próprio destino. Renato, mais uma vez ouve sua mulher, e convoca eleições gerais, para Presidente, Senador, e deputados, nos estados alem destas, são convocadas eleições para governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores. Era finalmente o regime democrático, que eles tanto sonharam dando seus primeiros passos.
Instalada a democracia, Renato e Inajara, entrega os governos nas mãos dos eleitos e num pronunciamento a nação, se despedem e dizem que sua missão está cumprida. Inajara, logo após Renato, discursa, agradecendo a toda a nação, a confiança nela depositada, e fala que a partir dali, irá dar mais atenção aos filhos que já são adolescentes. Ao sair do palácio, os dois são carregados nos braços do povo, e aclamados como os pais do povo.
Eles seguem até o aeroporto, e lá tomam o avião para sua terra, onde pretendem permanecer a trabalhar em seu ambulatório, e terminar de criar seus filhos de maneira simples e sadia.
SEGUNDO CAPÍTULO
Inajara adoece e morre.
Inajara, logo ao retornar a sua cidade, volta as suas atividades normais, porém, dando mais atenção a seus filhos que agora eram dois adolescentes, o menino já se encontrava com dezoito anos, e as meninas, com dezesseis, o menino, era um rapas alto como os pais , com os cabelos negros como os da mãe, e os olhos azuis do pai, todos o chamavam de filhinho, e a menina que encontrava-se com Inajara, era uma bela mulher, parecida com o pai, de cabelos loiros e longos, uma menina muito esperta e espevitada, sempre com uma resposta pronta na ponta da língua,
e levou o nome de Maria das Graças, e a outra menina, poucos a conheciam, pois vivia na ilha estudando para ser sacerdotisa e servir os Grandes Deuses das matas.
Na ilha, a menina , que levou o nome de Arajani, a cada dia que se passava se tornava mais parecida com a mãe, cabelos negros, olhos verdes, alta, esguia, se destacava das demais noviças da ilha, pois eram todas filhas do povo das matas e tinham estatura mediana. Arajani, levava sua aprendizagem, a sério, e a cada dia se tornava mais apta nas artes da magia, era bem vista pela grande senhora, que já era de idade bem avançada e já não podia se locomover com a mesma facilidade de antes. Porem numa noite de lua cheia, ela foi chamada pela grande Deusa da criação até a pedra da visão.
Lá, a ela foi mostrado, que grande perigo os filhos de Inajara estavam correndo, e que as grandes matas corriam perigo, e que iria ser necessário, que ela reunisse todos os seres mágicos das
matas e que após a morte de Inajara, teria que ser feito uma magia
para salvaguardar a ilha e os seres que ali vivem, e que a magia seria
tão forte, que ela faria a grande viagem, e que neste momento a
menina Arajani deveria está preparada para assumir o comando da
Ilha, e dos seres mágicos. A grande senhora se retirou, e ao chegar a gruta, chamou a chefe da casa das noviças, e ordenou, que os votos de Arajani, começassem, para que quando o dia chegasse ela já fosse Sacerdotisa .
Inajara levava sua vida normalmente, o país começava crescer de maneira desordenada, e pessoas sem escrúpulo, infiltravam-se no governo, e aos poucos por interesses financeiros Davam início a uma campanha de caça aos minerais que se encontravam escondidos nos subsolos das nossas matas.
As dívidas do pais aumentavam cada vês mais , o governo, fazia empréstimos no exterior e a dívida pública ia aumentando cada vez mais, os juros, ajudavam ainda mais o aumento das dívidas. Por estes motivos, o Governo autoriza, com ajuda do congresso, no qual tem maioria, a exploração das matas que a muito tempo não eram mexidas. Com isto, as tribos começam A serem extintas novamente e a entrada nas matas começa a por em risco a ilha da grande senhora.
Renato e Inajara, revoltados, com o que está acontecendo voltam a política nacional, e o povo, vibra com a notícia. O governo que não gosta da idéia da volta dos dois, manda preparar, um acidente com o avião que o filho deles pilotava, ao cair, o rapais desaparece e Inajara não se conforma com o desaparecimento e vai ela mesma nas buscas pelas matas, pois ela as conhecia muito bem. Após três dias de buscas, a menina é encontrada com vida e o filho desaparece. Inajara é picada por um mosquito, e contrai uma misteriosa doença. Ela mesma tenta se tratar, porem, não obtém sucesso, só consegue fazer com que a febre seda, as eleições presidenciais chegam, e Renato e ela são mais uma vez eleitos.
Ao tomarem posse, dão início a um novo plano de
Recuperação do país, através de um decreto, Renato proíbe a
Exploração das matas e cria também, as reservas indígenas.
Enquanto Renato se preocupava com os problemas do País, Inajara adoecia, e apesar dos esforços dos maiores catedráticos do país, ela não melhorava, Renato então, manda chamar a Grande senhora, e recebe como resposta, que ela estava muito velha para sair da ilha, e quando ele foi chamado a ilha, se recusou a ir, e que deveria arcar com o que estava previsto para acontecer, pois ele havia criado o próprio destino. Renato revoltado, rompe com a ilha, e exonera todos os Ministros que tinham ligação com o povo mágico. Inajara pede que ele não seja tão intransigente, porem ele pela primeira vez não a ouve.
Com a piora de Inajara, ela é obrigada a se afastar do Governo, com isto, Renato acaba por se aproximar de pessoas, que , não tinham o menor escrúpulo.
Inajara piora a cada dia, correntes de orações se criam por todo país, porem, ela não resiste e sucumbe a doença. O povo chora a perda da sua "Mãe". O cortejo fúnebre, cruza o país, ela é sepultada em sua cidade, o enterro é assistido por autoridades de todo mundo.
Renato, decreta luto de sete dias no país, e se recolhe ao Palácio em profunda depressão; os dias passam e ele não consegue Se reerguer, a depressão toma conta cada vez mais e então, pressionado por alguns Ministros e pelo presidente do Congresso Nacional, ele, renuncia, e o presidente do congresso, assume a presidência.
Os Ministérios são assumidos por pessoas que só tem interesses de enriquecimento. O povo volta mais uma vez a passar por tudo aquilo que já haviam passado.
Renato entregue a depressão definha até , a morte, e é enterrado como uma pessoa comum, esquecido pelo povo e pelos poderosos. A filha de Inajara, vai Para o exterior, estudar em escolas especializadas para moças.
A liberação da exploração das matas, e volta a por em risco A segurança da ilha. Na ilha a Grande Senhora chama as principais sacerdotisas, e manda que Arajani, faça o seu ultimo voto, para se tornar sacerdotisa. Assim foi feito, logo após a cerimônia, a senhora convoca os grandes seres mágicos da mata, para o grande ritual, chama a sacerdotisa mais velha, e a orienta, para que, quando ela terminar o grande ritual, e que seu corpo cair sem vida sobre a pedra do altar, ela retire seu anel mágico, a cubra com o manto sagrado,
e imediatamente faça de Arajani a nova Grande Senhora da Ilha. Pois, foi ela a escolhida pelos Deuses da criação para ser a nova Senhora.
Ao anoitecer, a Senhora se arrumou, penteou os cabelos, os enfeitou com uma tiara de osso, e uma coroa de flores de laranjeira, colocou o anel de Senhora da magia no dedo, pegou seus instrumentos mágicos, o cetro mágico e acompanhada das noviças que entoavam cânticos de louvores se encaminhou para o altar , para dar início, ao tão esperado ritual.
Ao chegar, todos os seres mágicos das matas , se curvaram em reverencia, ela se aproximou do altar, e falou:
__ Caro seres mágicos, estamos aqui reunidos para unirmos nossas forças mágicas, numa grande magia que irá criar uma cortina invisível de energia que protegerá nosso mundo e nossa tão querida ilha, a partir desse encantamento, os seres do outro mundo só terão acesso a ilha , acompanhados de uma sacerdotisa, que terão o poder de romper a cortina mágica com seus cantos celestiais, e que passaram a ser chamadas pelos humanos, de Janaina.
A Senhora ergueu o cetro mágico e fez a invocação:
__ Em nome dos Grandes Deuses da Criação, invoco os quatro
elementais, o elementar do fogo, que se aproxime as salamandras.
Elas entram e acendem as tochas preparadas para o ritual.
Neste momento a Senhora faz a invocação dos Gnomos
__ Eu vos saúdo, Gnomos,
Que constitui a representação do elemento terra.
Vós que constituís a base e fortaleza da terra,
Ajudai-me a transformar, todas as estruturas materiais.
Possuidores dos segredos ocultos, fazei-me perfeita e nobre, Digna do vosso auxilio.
Eu vos saúdo fraternalmente.
Os Gnomos entram e cercam o altar. A senhora prossegue.
__ Ao elemento água, invoco as Ondinas,
Eu vos saúdo Ondinas,
Que constitui a representação do elemento água;
Conservai a pureza da minha alma,
Como elemento mais precioso, da minha vida e do meu
Organismo.
Mestres das águas, eu vos saúdo fraternalmente.
As Ondinas entram e se juntam ao circulo. A invocação continua:
__ Neste instante invoco o elemento Ar, representado pelos Silfos.
Eu vos saúdo, Silfos,
Que constituís a representação do ar e dos ventos,
Fazei de mim a imagem do esplendor da luz.
Fazei deste pedido, o meu milagre.
Mestre do ar, eu vos saúdo, fraternalmente.
Neste instante, uma forte rajada de vento se faz presente, A senhora bate então com o cajado no chão três vezes, e as noviças Começam um cântico de louvor, a senhora e os demais Erguem os braços, e de suas mãos saem raios que se unem no céu, E retornam em forma de energia, cercando a floresta.
A senhora cai morta sobre a pedra do altar.
Logo após a queda da senhora, a dirigente da casa das noviças faz um sinal e uma das sacerdotisas pega Arajani pelas mãos e a conduz até o altar. A senhora da casa das noviças ergue então os braços e pronuncia as seguintes palavras:
__ Ó Grande deuses das matas, seus desejos neste momento estão sendo cumprido, pela pedra da visão instruíram a Senhora que este seria seu último trabalho, e que ao término ela faria a grande viagem, a mim sua humilde serva coube a missão de lhe apresentar a sucessora da senhora, e a coroa-la em seu nome. Neste momento, sete noviças saem de seus lugares e conduzem Arajani até a frente da Pedra da visão, a vestem com as novas vestes de Senhora da Ilha, e o manto sagrado. É retirado das mão da Senhora morta o anel mágico que é colocado no dedo de Arajani e diz:
__ Arajani, filha de Inajara e Roberto, casados nesta ilha e abençoados pelos Deuses, neste momento, ao colocar em seu dedo o anel da Magia, o qual só deverá se retirado de seu dedo em caso de renuncia ou morte, e te entrego o cetro mágico do poder, símbolo da grande Senhora, a qual a consagro neste momento. Salve a nova Senhora da Ilha!.
Todos se curvam e gritam salve! Salve! Salve!. Neste instante , o céu se ilumina e um grande facho de luz envolve o corpo inerte da Antiga senhora que vai se desmaterializando. Ao sumir o corpo, a luz envolve Arajani, criando a seu redor uma aura de luz branca que aos poucos vai mudando de cor até ter se tornado uma aura nas cores do arco-íris.
Arajani estava com os cabelos soltos, enfeitados com uma tiara de osso recobertos por flores de laranjeira. Ela então, ergue o cetro, e o bate três vezes no chão, ordenando:
__ Está feita a magia, eu saúdo o Grande deus das Matas, e digo, nestas matas ser nenhum penetrara a partir de agora, sem a minha permissão , ou que seja acompanhado por uma das sacerdotisas. Aqui termina este ritual, agradeço e saúdo fraternalmente a todos os seres mágicos que aqui estão, e ordeno a retirada de todos.
Imediatamente, as sacerdotisas entoam o cântico da vitória, e todos seguindo Arajani se retiram. Arajani segue para a gruta da senhora, lá ela ordena que durante vinte um dias, ela permanecerá em retiro, só comendo pão, água, frutas e peixes.
Do outro lado, o governo, que assumiu, metia os pés pelas mãos. Maria das graças volta ao pais, e se apavora, com caos instalado, O povo sem emprego, a fome tomava conta, porem por outro lado, coronéis, enriqueciam cada mais, levando o pais a contrair dívidas no exterior, a dívida externa voltava a apavorar. Ao ver isto, Maria das Graças, resolve se mudar para o exterior e estudar artes. Os anos passam, os governos a cada dia facilitam o enriquecimento dos poderosos.
O povo, em desespero, tenta a todo custo, derrubar o governo, porem, os exércitos avançam sobre eles e proporciona uma grande matança, o acontecido choca o mundo inteiro, e o boicote ao Pais, é decretado, até que seja restabelecida os direitos humanos no Pais, as fotos do massacre, correm por todo o território nacional, com isto, uma revolta, comandada por um tenente do exército, leva, os soldados, juntamente com o povo, a deflagrarem uma revolta, e em cada estado que o tenente passava, o povo e os soldados , sargentos, cabos e até coronéis, das três forças armadas se juntavam ao movimento, a cada estado que eles venciam, era designado um militar para assumir o comando do estado e das forças armadas do local. E assim, o movimento, foi caminhando, até chegar a capital.
Ao chegarem, alguns dos comandantes que participavam do governo, dão o golpe, e derrubam o presidente, levando-o a fugir, e se exilar em outro país. O tenente Rafael, é nomeado, presidente do país, em seu discurso de posse, ele diz a nação, que seu objetivo, é única e exclusivamente, em arrumar a casa e depois de saneada, entregar o comando ao seu verdadeiro dono que é o povo.
Alguns Generais, não se conformam em serem dirigidos, por um militar de patente muito mais baixa que a sua, e numa reunião secreta, resolvem dar outro golpe, e três dias depois, armam o golpe, e colocam um General do exército a frente do governo, Rafael, é preso e expulso do país, o congresso é fechado, e a constituição é rasgada pelos ministros da Aeronáutica, Exército e da marinha, e os três fazem uma nova constituição, na qual diziam, que quem se rebelasse contra os governos federal, estadual e municipal, seria preso como traidor da pátria e expulso do pais.
Os governantes, dos estados e municípios, seriam indicados pelo governo federal, e agiriam de acordo com os planos econômicos por ele determinado, todo e qualquer movimento fora dos padrões determinados, seria deposto e outro da confiança do presidente nomeado.
Com o passar do tempo, o povo foi se acomodando a situação, os que se revoltavam eram presos e alguns ali permaneciam, outros desapareciam, e os que podiam fugiam.
A pobreza do povo ecoava aos olhos do mundo, enquanto isso, na ilha Arajani, se tornava cada vez mais a senhora da ilha, numa noite de lua nova, ela é acordada, e imediatamente se arruma, pega seus apetrechos de magia, como havia aprendido com a antiga senhora, e se dirigiu até a pedra da visão, lá ela pode ver após o ritual que fez , ver que o destino de sua irmã e do Tenente Rafael, estava traçado, ele era filho da ilha, e ela era a filha de Inajara, e irmã da senhora da ilha. A união dos dois seria o melhor que poderia acontecer, e através desta união, ela poderia trazer de volta a salvadora do povo que tanto sofria.
No dia seguinte, ela chama uma das sacerdotisas que a servia, e a entrega uma carta e ordena que seja enviada imediatamente, manda chamar o representante dos sacerdotes da ilha, e manda que ele vá até onde esta Rafael, e o traga em segurança para ilha. Assim foi feito, dias depois, o rapais, chega a ilha, assustado com o chamado, e com todo o respeito, ele pergunta:
__ A que devo a honra de ser chamado, a presença da Grande Senhora da ilha?
__ Calma meu rapas, você acaba de chegar, descanse, pois para que eu lhe fale, eu preciso da presença de uma outra pessoa que está para chegar, vá com o sacerdote e se instale, quando for a hora, eu mando chamá-lo.
Dois dias se passaram, na manhã do terceiro dia, Rafael passeava pela beira do lago, quando avistou, uma barcaça que se Aproximava, a frente da embarcação, vinha uma das sacerdotisas, e logo a pós sentada, encontrava-se uma das mais belas mulheres que Ele já havia visto, nem na Europa, onde viveu exilado, por um grande período de sua vida, vira uma mulher tão linda. A pele era clara, e exposta ao sol, tornava-se rosada, os cabelos longos e loiros voavam ao vento, e tornavam-se mais doirados quando o sol nele batia, parecia uma pintura, como as que ele viu, expostas nos museus de Paris e da Itália.
Permaneceu ali a observar aquela criatura que desembarcava e que com seu andar macio, seguia em direção da gruta da Grande Senhora.
Maria das Graças, é recebida, por Arajani, a qual não via Desde pequena, ao vê-la, ela se espanta, como você se parece com nossa mãe, exclama a moça. Arajani a abraça e a conduz até a gruta. Ao chegarem lá , a senhora, indica os aposentos da irmã, e diz:
__ Descanse, quando o almoço estiver servido, eu mando chamá-la.
Maria das Graças entrou no aposento, e se surpreendeu, lá havia uma bela cama em estilo antigo, com um belo cortinado que a cobria até o chão, preso a parede um espelho e logo abaixo, uma penteadeira feita de tronco de arvore ricamente entalhado. No outro lado, um arco dividia o cômodo de outro no qual, encontrava-se uma grande tina feita de carvalho, cheia de água para que ela se banhasse.
Na mesa do almoço, as duas irmãs conversam sobre a infância, que por um período passaram juntas na ilha, sobre a separação e depois sobre a morte dos pais. Ao terminarem, Arajani, A convida para irem a sala do trono, ao chegarem lá, ela se senta no trono e indica a poltrona para que a irmã se sente. Ela em tom de deboche, diz:
__ Um agora vai falar a grande senhorinha, será que eu fiz alguma coisa que não devia?
__ É, é a Grande Senhora sim, quem vai lhe falar, e espero que me ouça com o respeito que me é devido, pois eu fui a escolhida pelo Grande Deus das Matas para tal.
Assustada Maria das Graças, se senta e pergunta:
__ O que quer, fiquei assustada, pois me lembro muito bem, que nossa mãe, me contava, que quando a Senhora da ilha fechava a cara, e mandava que alguém se sentasse com ela na sala do trono, era os Deuses da Mata ordenando e dirigindo o destino de alguém, e que se algum dia eu fosse aqui chamada, deveria agir com muito respeito, e nos ensinou a mim e a nosso irmão, a religião da ilha.
Bem, já que você conhece a religião da ilha e de nossos Ancestrais, acho que irás aceitar o que o Senhor das Matas lhe reservou, Espero, que o seu destino, seja cumprido de maneira normal e sem atropelos, E que você não tente muda-lo. Mas isso, não importa, deixe lhe contar:
__ Uma certa noite fui chamada a pedra da visão, e lá pude ver, que você , deveria se unir a um filho da ilha, para que possibilita-se a vinda da escolhida, que será a volta de nossa mãe ao mundo para que no futuro ela possa governar os dois mundos numa união plena.
Estou perplexa, diz Maria das Graças, eu lhe falei, que eu aprendi Com nossa mãe, a religião da ilha, e a ter respeito por ela, porém, não disse que eu acredito, é lógica, a maneira de se chegar aqui, é fantástica, é tudo muito , muito, deixa para lá, agora, aceitar essa loucura, eu não vou aceitar, e te peço, não insista, e me permita voltar para o mundo lá fora e levar minha vida normalmente, isto tudo é uma loucura, e não vai ser você nem ninguém, que vai mudar o meu destino.
Vejo que achas que sou louca, e que tudo o que nossa mãe te ensinou, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Pois bem, vá siga a sua vida Da maneira que achas melhor, porem, sabendo, que iras passar por coisas que nunca pensastes em passar. Vá se case gere um filho impuro, mas assuma, os Seus atos, e não reclame, mais tarde, você voltará.
Ao acabar Arajani se retirou, deixando a irmã só. Após o almoço, Arajani mandou que as sacerdotisas a levassem pelos caminhos secretos, para que ela não se perde-se . Assim foi feito, Maria das Graças ao chegar a casa que foi de seus pais, tirou os lençóis dos móveis, abriu as janelas, e deixou o Sol de final da tarde entrar. Mexeu em alguns objetos e lembrou-se de sua mãe a contar as lendas da ilha, porque era assim que ela chamava os ensinamentos de Inajara.
Na ilha, Arajani, chamou Rafael para uma conversa; ao chegar Ele foi conduzido a sala do trono, lá chegando, encontrou a Senhora sentada Em seu trono de pedra. Ela fez um sinal para que ele se sente, ele prontamente atendeu, só então ela falou:
__ Mandei chamá-lo, pois as coisas terão uma mudança, ou melhor, pequeno desvio, você permanecerá aqui na ilha se aprimorando nas artes da magia, pois precisará, destes conhecimentos no futuro, e como o escolhido pelo grande Deus, você deverá se aplicar nos estudos, o grande Deus já traçou os caminhos do povo do outro lado, eles irão passar por um grande período de ascensão e de queda até chegar o momento de a escolhida voltar. A partir da chegada da escolhida, eles passaram por um período de calmarias, porém, após os dezoito anos dela, o país decairá até que ela enxergue a sua missão e venha até a ilha assumir o comando da ilha e do mundo lá fora.
Assim foi feito, Rafael segue para o retiro dos noviços, e a Senhora Deu prosseguimento aos trabalhos da ilha.
Do outro lado, Maria das Graças, da início a sua vida, transforma o velho ambulatório de sua mãe em fundação Inajara das artes, local onde acontece exposições , palestras, e aulas para crianças de baixa renda. O tempo passa, e a fundação cresce, Maria das Graças, porém, não consegue se relacionar com ninguém, e vai levando a vida se dedicando cada vez mais a fundação, o país passa por um período de calmaria como havia previsto a Senhora, Maria das Graças, numa viagem para expor suas obras no exterior, conhece um belo artista plástico de mesma nacionalidade, ficam amigos, e passam a se encontrar até que resolvem se casar, no dia do casamento, ela recebe de sua irmã uma carta que a lembra que seu destino não pode ser mudado, mas ela a rasga, e segue para a igreja e se casa. A cerimônia é muito concorrida, pessoas do mundo das artes, políticos famosos, e algumas pessoas da ilha se fizeram presentes representando a Grande Senhora.
Os Nubentes foram para a Europa passar a lua de mel, lá permaneceram por três meses, ao retornarem ela fica sabendo que está grávida E comunica ao marido. Ele fica radiante, e jura amor eterno a ela.
O tempo passa e nasce a criança, é um menino, que é batizado de Pedro Paulo.
Na política, os governos não conseguem segurar a inflação, e todos passam necessidades inclusive Maria das Graças e o marido, que não se conforma, e sai as ruas a incitar a população contra o governo, com isto ele é perseguido, e preso várias vezes, porem ela usa de seus conhecimentos, e do Prestígio que tem por ser filha de quem é, e solta o marido, mas ele não se conforma com situação, e volta as ruas , uma comissão vai até Maria das Graças e a avisa que seu marido pode ser morto e que eles devem fugir. Ela Fica desesperada, arruma o filho, e juntamente com o marido foge para o interior, e se escondem num sítio de amigos.
Ao chegarem lá, se alojam, e passam a não sair, pois temem que alguém os reconheçam, ali ficaram por um grande período sem serem incomodados, porem, após seis meses, ele resolveu ir a cidade, para comprar um bolo para o aniversário do filho que fazia um ano. Na cidade foi reconhecido por um capataz, que imediatamente o segui, e comunicou a um poderoso coronel da região onde eles estavam, um grande esquema de captura é armado, e eles são perseguidos como bichos, na fuga se embrenham pela mata, e cachorros caçadores são soltos para persegui-los . Maria das Graças e o filho, conseguem entrar por um estranho caminho, cheio de arvores, e coberto por uma intensa neblina, o marido é descoberto pelos cães e cruelmente morto pelos jagunços que os perseguia.
Maria das Graças, apavorada, segue o caminho até que avista a alguma distância uma pequena clareira, e nela feita de troncos de árvores uma Pequena cabana. Ela se aproxima e com muito medo bate a porta, a porta se abre e ela chama:
__ O de casa, tem alguém ai, como ninguém responde ela entra, coloca o menino sentado em uma pequena cadeira feita de palha de coqueiro, ela olha por toda cabana e não encontra ninguém, vê um fogão de lenha com as brasas quase apagadas, coloca lenha e faz o fogo acender, a luz do fogo ilumina seu rosto pálido e assustado, pega uma tocha presa na parede e acende e torna a prende-la no mesmo lugar. Imediatamente o local se ilumina, e então ela pode observar o local, num canto uma cama aos pés da cama um rústico berço e ao centro uma mesa com dois bancos tudo feito de troncos de árvores.
Sobre a mesa uma tina com leite, e outras duas com feijão e Imediatamente, ela coloca o leite para ferver, e prepara o feijão e o arroz, dá o leite ao menino, e o põe para dormir. Come o feijão com arroz e deita para dormir. No dia seguinte, ela desperta com os primeiros raios de sol, abre as janelas e observa como a natureza lá fora é bonita, não muito distante dali um lago águas claras e puras no qual gaivotas e garças voam a cata de peixes. Ela dá leite ao menino, e sai com ele a caça de comida, anda, em direção ao lago, Se banha e dá banho no garoto, quando volta a casa, está toda arrumada, sobre a mesa frutas frescas e maduras , algumas raízes de mandioca, e espigas de milho, cocos abertos cheios de água. Entrou, verificou se tinha alguém, e ficou assustada, porém, bebeu a água, e deu para o filho, pegou uma das panelas de barro, colocou algumas espigas de milho, e pôs para cozinhar. Pegou o menino E o colocou no berço e o fez dormir.
Maria das Graças, se recosta na cama e adormece, acorda sobressaltada pois o menino ria muito, só então, ela pode perceber que junto ao berço encontrava-se um pequeno ser de blusa verde, e jardineira marrom, e na cabeça uma pequena boina, ela se assusta, ele a olha e sorri, ela corre pega o menino, ele então, diz:
__ fique calma, não vou fazer mal a ninguém, eu só vim para leva-los até o nosso senhor, pôs ele que lhe falar. Pegou Maria das Graças pelas mãos e a conduziu pela porta, até uma pequena clareira que ela não havia notado, pois estava completamente recoberta por uma vegetação muito espessa e uma junto a outra que se afastava conforme eles iam se aproximando. Ao chegarem, um outro homem pequenino de fraque e cartola os esperava sentado em trono feito de tronco de árvore , ela se aproximou, e ele disse:
__ Seja bem vinda, filha de Inajara, Irmã da grande senhora, nosso reino é todo seu, eu sei que tudo isso é novo para você, e que é difícil de entender, porém , aqui estarás tranqüila. Aquela pequena cabana, a esperava, e lá poderás permanecer o tempo que desejar, e nós a ajudaremos no que for preciso.
Maria das Graças, ainda com a voz engasgada, pergunta:
__ Não sei onde estou, porém, sei que aqui não vou ficar, e que se não estou sonhado, estou louca. Ao terminar de falar, ela sai correndo com o menino nos braços, ao chegar na casa, ela nota que já era noite, e resolve ir embora no dia seguinte, da de comer ao menino, e o coloca no berço e deita, não consegue dormir, seus pensamentos vagam por várias lembranças do tempo em que vivia no exterior e depois de sua vida com o marido. Ao amanhecer, ela arrumou algumas frutas num pano amarrou e deu leite ao filho, depois o pegou no colo e saiu mata a dentro, andou, andou, derrepente, ela ouviu latidos de cães e vozes de homens, ficou quieta e abraçou o filho, os cachorros, os farejaram, e ela pôs-se a correr pela mata, e os homens e os cães atrás deles, ela no desespero, não percebeu, que se dirigia para a cabana, no meio do caminho, no auge do desespero, ela grita, ó minha mãe me salve, neste momento, ela é puxada para dentro de uma moita e eles passam e seguem em frente, ela e o menino são levado de volta a presença do senhor dos duendes, lá todos os duendes a esperam, ela entrega o filho a uma das duendes e vai até o senhor.
Então voltastes, quase que você e seu filho foram pego, mas nós os salvamos, Agora, tens uma divida conosco, mas eu só a cobrarei, quando for o momento certo, por enquanto, vá para a casa, lá está Duíla, e Deumon , que os servirão enquanto a menina aqui estiver. Você aceita, a nossa condição, ou melhor, a sua dívida para conosco? .
Com um gesto de cabeça, ela diz que sim, e é conduzida pela mão até a casa da floresta. Ao chegar lá, ela encontra Duíla, a sua espera, que imediatamente se dirige a ela, e pega o menino e o leva para o berço, ela se senta no banco da mesa da sala, e respira fundo, Duíla a olha e diz:
__ a menina deve está exausta, deite-se e descanse eu cuido do menino, tome este chá ai, ele vai te fazer bem. Maria das Graças bebeu o chá e depois deitou, logo ela adormeceu e a noite chegou.
No dia seguinte, ela despertou logo que os primeiros raios de sol apareceram, Levantou-se e viu Duíla, no fogão de lenha retirando uma broa que acabara de ficar pronta, Ao perceber que ela havia despertado, ela disse:
__ Bom dia menina, ou melhor, Daomi, porque é assim que vai se chamar enquanto aqui estiver.
__ Porque Daomi, eu não entendo, nem na ilha da grande senhora eu tive outro nome ?
__ É que lá, a menina não ficou tempo o suficiente para levar outro nome, enquanto no reino dos duendes, todos tem um nome mágico, para que não possa ser reconhecida por humanos , nem sermos descobertos sem que queiramos, só os seres mágicos da floresta e da ilha é que nos vêem sem que nós queiramos. O seu nome, significa senhora das artes, ele foi lhe dado devido ser a menina Uma artista, porém, ele a protegerá dos humanos maus, e seu filho será chamado de Deman que significa Príncipe dos mundos. Mas coma, eu fico aqui tagarelando, e você só me ouve, não come nem fala nada, estás com medo?
__ Medo não, só tenho receio, é tudo muito novo para mim, mas respeito, e se concordei com as condições de seu rei, neste instante, Duíla a interrompe .
__ Rei não, ele é o Decano Dérion, é quem nos guia até o sucessor voltar e ser coroado nosso rei.
__ Está bem, eu não queria ofender, peço desculpa, Agora deixe eu comer, pois estou faminta, e quero aproveitar enquanto ele dorme.
__ Não se preocupe com o menino, eu cuido dele e Deumon, pode ficar com ele quando eu não puder , aqui ele sempre terá alguém para tomar conta de seus paços.
Daomi, (Maria das Graças), comeu, viu que o menino acordou, foi até ele o pegou no colo e o levou até a mesa, Duíla colocou a mesa uma cambuca com um mingau de farinha de milho feito por ela no tacho, ela deu ao filho e depois saiu a passear com ele, Foi até o lago lá deu banho nele, e ao voltar, encontrou sobre sua cama roupas limpas para ela e o menino, se vestiu com elas e depois vestiu o garoto.
O tempo foi passando, e Daomi, foi aos pouco se habituando com o lugar e com os pequenos seres que ali viviam, com o tempo, ela descobriu lugares lindos e aprazíveis, e teve vontade de retrata-los, ao voltar de um de seus passeios numa das tardes Ensolaradas, ao chegar em casa encontrou sobre a mesa folhas de um papel rústico , e tintas de várias cores, carvão, e pincéis feitos de pelos de animais da floresta, pincéis rústicos porem macios. Ali permaneceu a admirar aquelas folhas de papel e as tintas.
Logo depois, entrou Deumon com uma caça e a colocou sobre a bancada ao lado do fogão E saiu, o menino no colo dela se agitou para descer, e chamava Deumon, Deumon, brinca Comigo. Só ai ela se deu conta de onde estava, colocou o filho no chão, e foi até a porta, Deumon, cortava lenha, e Duíla limpava uma ave numa bacia com água. Daomi olhou para Duíla e perguntou:
__ Como essas coisas vieram parar aqui?
__ Foi o povo da ilha quem trouxe, o papel foi feito por eles, as tintas, foram as sacerdotisas que as fizeram com os elementos tirados da natureza , e os pincéis, foi Deumon quem fez com os pelos das chinchilas que ele caçou, por que a menina não gostou?
__ Não, muito pelo contrário, eu adorei, era tudo o que eu queria, só não sei como vou fazer, pois não sei pintar sem cavalete.
__ Olhe para o lado, disse Duíla, ali estava um cavalete feito galho de arvore, porém muito firme e bem trabalhado, foi Deumon quem fez, agora já pode começar. Nós cuidamos do menino.
Daomi ficou eufórica, mas a noite caia, e ela teve que esperar o dia seguinte. No dia seguinte, ela pulou da cama com os primeiros raios de sol, pegou seus apetrechos e partiu para a beira do lago e pôs-se a pintar, retratou as paisagens, e até os duendes que por ali passavam. Com o passar do tempo, ela se dedicava cada vez mais a pintura e se afastava do menino, e Duíla e Deumon, o cuidavam com muito amor e destreza.
Um belo dia, encontrava-se ela a pintar quando um belo homem, por ali passava, e parou para observar seu trabalho, quando ela se assustou ao vê-lo .
__ Que susto, estava tão absorvida a pintura que nem percebi sua presença.
__ Queira me perdoar, não era minha intenção assustar a senhora, é que ao observar a sua destreza com os pincéis parei para admirar seu trabalho pois é perfeito.
__ Muito obrigado, mas de onde o senhor é , pois só os seres mágicos da floresta consegue chegar aqui, e eles são pequenos, coisa que o senhor não é.
__ Eu sei, pois sou da ilha da Grande Senhora, nasci e me criei nesta região, e por isso conheço os caminhos mágicos que nos trás até aqui.
__ Ainda Bem, pois já estava assustada. Mas quem é o senhor?
Eu me chamo Rafael, e sou aprendiz das artes dos magos. Mas eu não posso mais me demorar, um dia quem sabe nós nos encontramos e conversamos mais, adora as artes, até Breve, há, como a senhora se chama?
__ Daomi, é assim que todos nesse lugar me chamam.
Rafael entrou mata adentro, e ela ficou a olhar até que ele sumisse no meio da vegetação. Recolheu seu material e foi para casa, lá ela deitou-se, e ficou a pensar naquele homem que lhe impressionou tanto.
Na ilha, ele se encontra com a Grande senhora, bem, o primeiro contato já foi feito, disse a Senhora. E continuando, agora é só esperar que o Grande Deus faça o restante, é só dar tempo ao tempo para que vocês se encontrem novamente. Dentro de algumas semanas, eu vou mandar chamar minha irmã aqui na ilha, e a vou convidar a vir Morar aqui e se tornar sacerdotisa vamos ver se ela estará pronta para depois do aprendizado participar do casamento ritual e trazer de volta a escolhida dos Deuses. Porém, ela não poderá saber que será o instrumento para o retorno de nossa mãe, ela deverá criar a menina normalmente até que ela tome consciência por si mesma de sua missão e retorne a ilha por seus próprios meios e conhecimentos.
As semanas foram passando, e a cada dia, Daomi, pintava mais e mais, mas a fisionomia de Rafael não lhe saia da mente, era tão nítida a imagem que ela sem sentir pinta o rosto dele em um duende que estava pintando. Quando acabou é que percebeu o que Tinha feito, pegou suas coisas e foi para casa, lá recebeu das mãos de Duíla uma carta da Grande senhora, que a convidava a ir até a ilha; leu a carta e disse:
__ Duíla, arrume minhas coisas e do menino, nós iremos até a ilha somos convidados da Senhora e você virá conosco. Duíla arrumou tudo, e partiram pelos caminhos secretos para a ilha, ao chegarem lá , Daomi (Maria das Graças) foi recebida por Arajani com grande festa.
__ Minha irmã, que bom, pensei que não aceitaria meu convite, pois da ultima vez que aqui esteve, saístes tão aborrecida, mas são águas passadas, não é. Com um gesto com a cabeça ela concorda. Daomi, da o menino para Duíla e sai a caminhar a frente de todos , perdida em pensamentos, a senhora percebe que ela busca alguma coisa e pergunta:
__ Maria das Graças, Maria das graças, minha irmã, em que mundo estás ?, Maria das Graças!!!, Só então ela se da conta que é com ela que a Senhora falava.
__ Há me perdoe, é que a tanto tempo ninguém me chamava assim, que eu me acostumei a ser chamada de Daomi, e prefiro assim ser chamada, acho que Maria das Graças não existe mais. O que você estava dizendo minha irmã?
__não se preocupe, não era nada de importante, mas quer dizer que devo a partir de agora chama-la de Daomi!?
__ Eu prefiro, respondeu ela.
__ Bem , vamos, a um belo lanche a espera de vocês , e deixem-me ver o meu sobrinho, e pega o menino no colo, Imediatamente, o garoto se debate e chama por Duíla, que corre para pegar a criança e a senhora percebe que há algo de errado com eles.
Ao chegarem a casa das noviças, Duíla fica , e o menino não quer ir com a mãe, chora e chama pela duende, então ela manda que deixem ele com ela, e parte para a gruta da senhora, lá as duas encontram uma farta mesa se sentam e comem, conversam sobre várias coisa e a Senhora diz, que sabe tudo o que houve com ela pois acompanhou
Pela pedra da visão, mas que não entendia o porque o menino a rejeitou com tanta violência, mas que depois com o tempo achava que ele se acostumaria com ela. Daomi concordou, e pediu para descansar, pois estava exausta da caminhada, foi então levada para os aposentos onde pode dormir por um longo período. Enquanto ela dormia, a Senhora foi até a pedra da visão, e pediu ao grande Deus que a mostra-se o que havia de errado com o menino, aguardou por alguns instantes e não obteve respostas, tornou a fazer os preceitos e a perguntar , e novamente não houve resposta, então agradecendo, terminou o ritual e se retirou. No caminho de volta, encontrou Rafael, e o comunicou a chegada de Daomi, ele ficou radiante, seus olhos brilharam de alegria, a senhora seguiu pedindo que ele a abordasse mais tarde porém com sutileza , até mesmo como por acaso.
Quando Daomi despertou, já era início da tarde, ela saiu do quarto e percebeu a ausência da Senhora , perguntou a uma das noviças e foi informada que ela havia ido até a pedra, resolveu então sair e ver seu filho, ao chegar a casa das noviças, viu o menino brincando com uma noviça que parecia muito com Deumon, e Duíla ao lado conversava com ela como se já a conhecesse a muito tempo, aproximou-se e o menino logo correu para ela,. As duas imediatamente se calaram, então Daomi falou:
__ Porque se calaram, a conversa estava tão animada, parecia que as duas eram velhas amigas?
__ É, essa é filha de uma das irmãs de Deumon, que veio para ilha aprender as artes das ervas. Não sabia que vocês também se tornavam sacerdotisas!, não senhora, retrucou Duíla, 'nós só aprendemos a mexer com ervas medicinais. Arajani chega e diz a Daomi que precisa lhe falar, que após seu passeio a procure. Daomi sai e vai passear a beira do lago e lá encontra Rafael, os dois conversam e ela percebe que está apaixonada, os dois passeiam por toda a tarde, e marcam um novo encontro para a manhã seguinte, ela retorna a casa e ao chegar diz a irmã , que depois conversam, pois esta com sono é quer dormir, e que não quer nem jantar. Ela entra no quarto e lá fica a sonhar com Rafael, no dia seguinte, acorda cedo e vai ao encontro do amado. Assim se passam vários dias e a cada dia os dois se apaixonam cada vez mais.
Porem numa bela manhã, Arajani a chama, e diz a ela que ela deve voltar a morar na ilha, pois ela deverá fazer o casamento com Rafael na ilha pois os dois trarão de volta a escolhida. Ela se assusta mas concorda, manda Duíla arrumar tudo e parte para a casa dela, e lá ela Arruma tudo para partir.
Ao chegar a frente do senhor dos duendes para agradecer a hospitalidade, ele a informa que ela poderá ir, mas o menino não, pois quando ela foi salva por eles ela criou uma dívida com eles, e ele a havia informado, que um dia iria ter que paga-la, revoltada Daomi diz que não, e ele manda que a expulsem do reino, e ela é levada a força até o caminho mágico da ilha.
O casamento Sagrado e o retorno da escolhida.
Daomi, chega a ilha completamente arrasada, abatida ela conta a Senhora, o que aconteceu, a Senhora fica furiosa com a exigência dos Duendes e manda que um dos seus emissários vá buscar o menino, a sobrinha de Deumon corre e avisa e o menino é escondido e o emissário nada consegue, a Senhora então , manda que os seres mágicos da floresta passem a ignorar o reino dos duendes até que eles se retratem perante ela e o Senhor Grande Deus das Matas.
Passam alguns dias e Daomi, recebe de Arajani a incumbência de se tornar sacerdotisa da Deusa das artes e só então depois de se fazer sacerdotisa ele poderá ir ao casamento sagrado. Daomi entregue a mais profunda tristeza aceita e se entrega aos votos
Torna-se a melhor noviça do local, porem, não deixa de se encontrar com seu grande amor.
Se passam três anos e chega o momento dos últimos votos dela e de Rafael, os dois farão Os votos juntos e no mesmo instante, a Senhora fará o grande casamento. Os preparativos eram intensos os seres Mágicos da floresta, menos os Duendes foram convidados paras festas, que levariam três dias de comemoração e rituais. A noite, Daomi foi levada a presença de Arajani pois ela queria lhe falar, chegou encontrou a Senhora formalmente sentada em seu trono de pedra, e com um gesto mandou que ela se sentasse, e disse:
__ Bem, aqui estamos, as duas filhas da Escolhida uma a Grande Senhora, a outra sacerdotisa da Deusa das artes, mas tem umas coisas que deves saber. Após o seu casamento, tanto você quanto Rafael, deverão voltar ao mundo dos humanos, só que lá vocês não vão poder esquecer os preceitos ritualisticos.
__ Mas como nós vamos voltar, a minha irmã esquece que Rafael fui expulso do país?.
__ Eu sei, mas acontece que o tempo aqui no mundo mágico é diferente, você está aqui a sete anos, só que lá se passaram 70 anos e o povo que lá mandavam, já partiram , e os que lá ainda vivem já não mandam mais, a renovação se fez, e por isso vocês podem voltar, mas, nunca diga, quem você é, pois para eles, nossa mãe é figura da história do Pais. Agora já podes ir, vá e se prepare, para o grande dia, a comemoração será intensa.
Daomi se retirou e foi para a casa das noviças, tomou seu banho de ervas, E pouco comeu, na manhã seguinte, ela despertou e o corre-corre era grande, foi direto para a mesa do café, comeu frutas e partiu para o quarto , lá encontrou a tina de carvalho com água morna e flores para o banho. Após o banho foi vestida pelas noviças mais novas Que por tudo riam, colocaram um vestido branco, bordado com fios dourados, pentearam E trançaram os cabelos de Daomi. Enfeitaram a trança e colocaram no alto de sua cabeça Uma tiara toda feita de prata e recoberta com pedra s colhidas nas minas da ilha.
Arajani entrou na casa das noviças, e todos a reverenciaram, com um gesto ela fez com que voltassem a seus afazeres , olhou para a irmã e disse:
__ Como estás linda, agora espere, vou vestir minhas vestes de ritual e seguiremos em procissão até a pedra da visão onde já estão os convidados e seu noivo. Arajani se paramenta, vai até a casa das noviças levando um cajado feito de cedro e todo trabalhado com fios de prata e fios de ouro , na ponta um sol e uma lua trabalhados em ouro e prata contornados com pedras preciosas , em seu dedo um anel de ouro e esmeraldas, símbolo da Grande senhora; ao chegarem um belo cortejo se forma, Daomi, sai e fica ao lado de Arajani, as sacerdotisas as colocam embaixo de uma espécie de tenda segurada por quatro noviças, a frente as crianças , meninas virgens todas de branco carregando cestas de pétalas de flores as quais eram jogadas ao chão para que a procissão passasse, atrás vinham as sacerdotisas mais velhas e no final as noviças todas a cantar cânticos de louvor.
Quando a procissão chega a pedra da visão, todos se fascinam , a senhora vai para frente do altar e os noivos logo a seguir se dirigem. Arajani da início ao ritual.
__ Em nome do Grande Deus das Matas, peço permissão e invoco as forças da natureza, Invoco os elementais , fogo, água , ar e terra, todos os Deuses e deusas do Universo, para que abençoe esta união. Com a água, eu os lavo de todas as impurezas, com o fogo, eu queimo todos os miasmas negativos, com a força da terra eu os cerco para que sejam fortes como ela é, e que o ar seja a seiva da vida a qual os Deuses da Criação os fizeram.
E com um elo de flores ela une as mãos dos dois, ergue os braços, todos que ali estão também o fazem , neste instante, do céu azul cai uma chuva de pétalas de rosas douradas que ao tocar o chão, se transformavam em moedas de ouro e pedras preciosas, noviças as catam e as colocam em um baú todo forrado em veludo vermelho e por fora , todo trabalhado a mão.
A senhora abaixa a mão e a chuva para, então ela diz:
__ Este baú é o presente dos Deuses da ilha para que os dois possam começar a vida no outro lado, mas vamos a festa pois a noite eles farão os votos finais ela como sacerdotisa da Deusa das Artes e ele como um perfeito sacerdote do Deus das Matas. As comemorações continuaram, a fartura era total a alegria imperava, ao redor escondidos no meio da mata estavam os Duendes e o filho de Daomi, a observar, porém não foram notados, sentados ao lado da senhora os nubentes recebiam os cumprimentos e os presentes vindos de todas as partes das matas , das coisas mais simples as pedras mais belas e brutas.
Com o cair da noite eles foram levados ao lugar secreto de juramento e ali, com uma agulha furaram o dedo, tiraram uma gota de sangue, ungiram os instrumentos mágicos, e ali na presença da Senhora prestaram o juramento. A festa prosseguiu por mais dois dias, ao final os noivos partiram e tudo voltou ao normal na ilha.
Sete dias depois , ao amanhecer a Senhora é chamada a pedra da visão, lá ela é avisada de que os duendes estão preparando o filho de Daomi para vir a ser um ser das trevas, pondo em risco a ilha e a vida da Senhora.
Do outro lado, Daomi e Rafael conseguem comprar uma modesta casa de três quartos , em um deles ela faz seu ateliê , e no outro ele monta uma oficina de ourives a sua nova profissão , Daomi, desenha peças e ele as transformam em jóias, que são vendidas para pequenas joalheiras , e assim eles vão vivendo a vida, ela não para de pintar, a retratar Duendes Fadas e até anjos, todos com muita semelhança com seu filho. Seus quadros ficam expostos na frente de sua casa e pessoas amantes das artes os compram, a vida dos dois ia muito bem, até que um belo dia , aparece em sua porta uma pequenina moça a pedir emprego, com pena ela a emprega, e permite que durma em um pequeno quarto no fundo da casa, ela tinha um nome estranho, era Alíud , era um exemplo, fazia todo o serviço, e cozinhava muito bem, com isto Daomi, pode se dedicar com mais afinco as suas obrigações de sacerdotisa e seu marido as suas de Sacerdote, porem só que a Alíud era uma enviada dos Duendes, para impedir que Daomi trouxesse de volta a escolhida.
Ao completarem um ano de casados, Daomi manda que Alíud prepare um Jantar especial, paca assada, com farofa , e arroz branco, curiosa ela pergunta :
__ Alguma coisa especial?
__ Muito, é nosso primeiro aniversário de casamento, e eu quero dar uma grande notícia para o meu marido, mas não adianta perguntar, pois não vou contar.
Daomi sai radiante, Alíud rapidamente vai até o seu quarto tranca a porta, senta a frente da mesa , retira um pano preto que cobria uma bola de cristal, acende uma vela preta, faz uma invocação aos seres das trevas e pede que lhe mostre o que ela está escondendo. Imediatamente, uma imagem aparece dentro da bola, é Daomi grávida e feliz. Ela sai do quarto, o tranca novamente, e vai para cozinha; prepara tudo que a patroa mandou, e deixa pronto. A noite depois do jantar, quando Daomi vai comunicar ao marido que está grávida Alíud entra com uma bandeja de café, põe nas xícaras serve o patrão, e depois quando vai servi a patroa, sem que eles percebam, coloca dentro da xícara um pó que se mistura com o café. Eles bebem, minutos depois, Daomi começa a passar mal, e tem uma grande hemorragia, é levada para um hospital e lá perde o neném.
Dias depois, ela é levada para casa, arrasada, só pergunta porque o Grande Deus deixou que isto acontecesse, já que era de sua vontade o nascimento da criança. Rafael acalma a mulher dizendo que o grande Deus sabia o que estava fazendo, e que eles não deviam julga-lo. E que da li a alguns meses eles tentariam novamente e tudo sairia bem. Alíud que tudo ouvia atrás da porta, diz eu duvido, eu não deixarei.
Um mês se passou , Daomi, se recupera, e decide tentar novamente, prepara ela mesma algumas comidas exóticas, e afrodisíacas, dispensa a empregada , e ela vai para o quarto e lá começa uma magia que faz com que os dois acabem por dormir, no dia seguinte, bate a porta um homem alto de olhos muito azuis, cabelos bem negros e barba negra e bem tratada, se apresenta como um Marcham que quer levar as obras de Daomi para o Exterior, Rafael se empolga, e da força a mulher, e ela aceita. A exposição é um sucesso a critica internacional faz grandes elogios, com isto, ela passa a trabalhar mais e mais, e as exposições se sucedem uma a outra e se passam dois anos.
Enquanto Daomi e Rafael viajavam pelo mundo por conta do sucesso de suas exposições, na ilha o tempo se tornava cada vez mas curto, a escolhida teria que voltar, pois só a chegada dela faria com que os duendes enfraquecessem e a ilha se fortaleceria, a Senhora, já não sabia mas o que fazer para combater as forças das trevas que aliadas aos Duendes drenavam as energias dos arredores da ilha, a Senhora já havia mandado vários mensageiros e não obtinha resposta, então , ela decidiu, chamou a sacerdotisa mais velha, e a ela passou o comando da ilha, pois ia ela própria ao Mundo dos humanos falar com Daomi e Rafael, levaria duas noviças e uma sacerdotisa, arrumou todos os seus instrumentos mágicos e no dia seguinte antes do amanhecer partiu.
Logo ao amanhecer, elas chegavam a casa de Daomi, bateu a porta, e foi atendida por Alíud, que ao vê-la, se surpreende e faz reverencia, neste momento Rafael e Daomi entram e se assustam com a cena que vêem . Senhora!, quanta honra, e você menina, de onde conheces a Senhora da Ilha?, Alíud sai correndo e se esconde em seu quarto, Rafael pede que a comitiva entre e as acomoda na sala, Daomi, pergunta:
__ O que aconteceu?, para minha irmã deixar a ilha e vir a minha casa, eu sei que não temos nos dedicado muito aos nossos preceitos, mas não acredito que a Senhora deixaria a ilha só por causa disto.
__ E você está certa, eu vim porque mandei vários mensageiros e não obtive resposta, e como as coisas a cada dia piora, a guerra no mundo mágico, os Duendes se aliaram aos seres das trevas e declararam guerra a ilha, eu descobri que a sobrinha de Deumon era noviça, e levava e trazia trabalhos para atrapalhar os nossos trabalhos.
__ Mas eu não recebi nenhum mensageiro , algo está acontecendo.
__ É e eu já sei o que é , ao chegar pude perceber a presença da filha de Duíla aqui, e agora eu sei porque a pedra da visão nada me mostrava. Diz a Senhora.
Daomi, se levanta, chama Alíud e diz:
__ Muito bem, como eu pude ser tão ingênua, você é filha de Duíla, anda responda!
__ Sou, e se não fosse essa ai....
__ Essa ai não mocinha, A Senhora da ilha, Regente de todo mundo Mágico. __ Menos dos Duendes e dos seres das Trevas, que são governados pelo príncipe menino. E vocês, não vão conseguir trazer de volta a escolhida, nós não vamos deixar.
__ Fora, fora daqui, pegue suas coisas e vá embora Ela sai, e a Senhora pede que Daomi se acalme, amanhã com calma conversaremos. Rafael acomoda as noviças no seu escritório e a Senhora e a Sacerdotisa no ateliê, e vão dormir. Na manhã seguinte, depois de uma longa conversa Arajani volta para a ilha, Com a certeza de que eles haviam sido chamados a razão, e que a partir de agora cumpririam as determinações do Grande Deus.
Daomi, passa a se dedicar mais as suas obrigações de sacerdotisa, e deixa para segundo plano as artes da pintura, Rafael, passa a se dedicar mais a política, como era a sua missão , ele se engaja em um pequeno partido de metas socialistas e humanitárias , com o tempo ele chega a presidência regional do partido. Daomi, depois de muito se dedicar, as artes mágicas, descobre que seus pedidos haviam sido aceitos, e finalmente ela Engravidara. A noite, quando o marido chegou, deu a boa notícia a ele que ficou radiante, mas resolveram, não contar a ninguém, nem a Senhora, para não correrem o risco de que algum espião dos Duendes tomasse conhecimento.
Quando a barriga de Daomi começou a aparecer, eles receberam uma mensagem da Senhora, parabenisando-os pela gravidez e que ela havia visto na pedra que seria realmente uma menina, e que ela nasceria no dia da conjunção dos astros , mas que eles tomassem muito cuidado, porque embora ela já houvesse conseguido acabar com as interferências negativas, a batalha ainda não estava ganha, ela juntamente com alguns seres mágicos tinham cercado a aldeia dos duendes por um circulo de energia que os impedia provisoriamente de agirem; mas eles iriam tentar atacar novamente, pois a magia não era definitiva, e eles não poderiam sair de lá , até o nascimento da escolhida.
Até o sexto mês , Daomi participou das exposições, e das reuniões do partido,
Mas ao entrar no sétimo mês , Arajani a chama a ilha para que lá permaneça até o nascimento, e ela diz para seus amigos que irá para a casa de uma irmã, até o neném nascer. Tudo é preparado para a partida, Rafael, se licencia do partido por uma semana, pois ele deve acompanhar a esposa, e deve retornar, pois as eleições municipais estão na reta final . Ele é candidato a vereador, e não pode se afastar, pois é ali que vai se dar o início da arrancada para a preparação do comando dos seres mágicos no poder mais uma vez.
Na ilha eles são esperados com ansiedade , um aposento especial é preparado para Daomi, ao chegarem na entrada das matas, eles são recebidos pelas sacerdotisas, que os conduzem pelo portal mágico e rapidamente chegam a ilha. Arajani os esperava na entrada do portal, Daomi ao chegar é posta em uma cadeira e os magos a carregam, ela se sente como uma verdadeira rainha, Rafael se despede da mulher, e parte de volta, Daomi , resolve descansar, ela é coberta de mimos pela Senhora e por algumas sacerdotisas.
Rafael é eleito o vereador mais votado , e assume a presidência da câmara, na posse ele recebe a notícia que sua esposa deverá dar a luz a qualquer hora, e pede licença da câmara e parte para ilha. Ao chegar a entrada da mata resolve seguir pelos caminhos secretos sem passar porem pela aldeia dos Duendes. A noite cai sobre a mata, e ele se perde, e acaba indo parar na entrada da aldeia, ao perceber, ele usa seus conhecimentos de mago, e se faz invisível , com isto ele consegue penetrar na aldeia sem ser visto, ao cruzar a clareira, ele percebe que o filho de Daomi, já é um rapaz, se assusta, pois o tempo na ilha e no mundo mágico, passa mais lento, e seria impossível que o menino se fizesse rapaz em tão pouco tempo. Mas ele não se prendeu, segui em direção a ilha pelo caminho secreto. Na fronteira, ele teve mais uma vez que usar de seus conhecimentos de mago para romper o circulo mágico. Ao passar ele não percebe que o Duende Silvestre passa junto com ele, ele deixa a invisibilidade, porém o Duende permanece invisível e o segue por onde ele vai. No caminho para a gruta da Senhora, ele sente uma presença estranha, mas o Duende se esconde entre a vegetação, e Rafael nada percebe. Na gruta ele vai a presença da Senhora, e quando ela aparece, para sua Surpresa, Silvestre, pula na frente de Rafael e reverencia a Senhora, dizendo:
__ Ó grande Senhora, me perdoe o atrevimento, sei que nossos mundos estão em conflito, mas posso lhe garantir que nem todos nós estamos de acordo, por isso aproveitei a carona do Mago para fugir, não me mande de volta, lá é muito ruim, as trevas imperam, não agüento mais.
Como se atreve Duende, grita Rafael, é muito abuso, vou leva-lo imediatamente para a casa dos noviços, e prende-lo lá até que o mandemos de volta.
__ Calma, diz a Senhora, Eu já esperava que isto acontecesse, eu havia sido avisada, que
um duende viria com você, para pedir socorro, que ele deveria permanecer aqui até a batalha final, só quero saber o seu nome?,
__ Chamo-me Silvestre, Duende da Natureza , e sou o que ajuda as pessoas que vivem em harmonia com a natureza.
__ ë , confere, foi isto que o Grande Deus me disse através das pedras mágicas, já que não possa usar a visão. Agora, você Mago Rafael, deve ir com ele para a casa dos noviços e lá, aguardar a hora do nascimento, pois vamos precisar estar todos juntos em comunhão com os Deuses nos unir numa só força para que a escolhida venha coberta de energia e cumpra sua missão.
Rafael e Silvestre se retiraram reverenciando a Senhora, foram até a casa sem dizer uma palavra , lá descobriram que permaneceriam no mesmo quarto. Ao entrarem, ficaram por um tempo sem se olharem, porem Silvestre, olha nos olhos de Rafael e diz:
__ O Mago, você acha que se eu fosse do mal, eu iria conseguir passar pela barreira junto com o amigo, eu não conseguiria, e alem do mais, o grande Deus não me deixaria.
__ Quanto a isso, eu tenho certeza, Diz Rafael. Eu só fiquei aborrecido porque você me usou, sem meu consentimento. Mas acho que podemos ser amigos, aperte a minha mão. Os dois apertam as mãos e fazem um pacto de amizade e lealdade. Com o pacto eles se tornam muito amigos, vão para todos os cantos juntos, a cada desejo de Daomi eles se desdobravam. Numa noite, encontravam-se a conversar no quarto, Rafael resolveu perguntar a Silvestre sobre o filho de Daomi.
__ Silvestre, como o filho de Daomi, pode se transformar em um rapaz tão rápido?
__ É, foi a magia,
__ Como assim?, Perguntou o mago,
__ Vou te contar, na noite do casamento de vocês, ele foi levado ao centro do círculo da estrela de cinco pontas, que é o símbolo das trevas, e no momento da conjuração, que foi feita aqui para o juramento, lá , o menino foi dado ao senhor das trevas como o elo da união dos dois mundos, o dos Duendes e o das trevas. Com isto o senhor das trevas passou a utilizar o menino como seu único corpo, e ele começou a crescer rapidamente e a cada dia ele vai crescer até se tornar um homem, e poder assumir os dois reinos, e só então a guerra vai ser retomada, pois ele pretende é não deixar que a escolhida faça a união dos dois mundos novamente. Pois ele tem como objetivo dominar os humanos.
Batem a porta, era um noviço para avisar que deveriam ir para a pedra da visão pois era chegada a hora de se dar início ao ritual para a chegada da escolhida. Os dois se aparamentaram, e como os demais magos e seres mágicos partiram para a pedra da visão. Lá , encontraram Daomi, deitada sobre a pedra sagrada, recoberta por um manto branco bordado com símbolos mágicos. Atrás deles foram chegando os demais e por último chegou a senhora com sua túnica de capuz com a cabeça coberta. Ela parou nos pés de Daomi, e com o cetro mágico, sinalizou para que os demais se pusessem em circulo. As sacerdotisas, trouxeram uma bacia com água e uma tesoura, panos brancos e limpos , que se notava serem novos especialmente tecidos para a ocasião.
Daomi, começa a sentir as dores, transpira muito, Rafael ao seu lado da a mão a ela, a Senhora olha em baixo do manto, e chama a sacerdotisa que cuida dos partos da ilha, e ela diz que ainda não é o momento.
A senhora começa um cântico de louvor que é imediatamente seguido pelas noviças, ela da início aos trabalhos, um circulo de pólvora , que é aceso e queima levantando uma fumaça branca que envolve a todos. Quando a fumaça sobe, uma sacerdotisa vem com um turíbulo com incenso, mirra, e benjoim e rodeando a todos vai defumando a eles. Neste momento as noviças entoam um mantra de invocação, Daomi grita a cada contração que agora está vindo a cada três minutos, o ritual prossegue , outra sacerdotisa entra e com água sagrada circula o local, depois outra circula jogando ervas aromáticas e só então entram os guardiões do Senhor Deus das Matas. Vestidos como aldeões de branco, vermelho e dourado, nas mãos uma espada e se colocam um em cada canto do local. Chega o momento, a senhora ergue o cetro sagrado, os aldeões as espadas, e os demais os braços e ela faz a conjuração.
Senhor Deus das Matas, criador de tudo, neste instante sagrado, humildemente pedimos permissão para invocarmos as forças da natureza , e que se faça o elo sagrado entre o cosmo e a terra, e que os anjos tragam as bênçãos divina para este momento tão sublime , que possa as energias da Deusa da criação abençoar a vida que está vindo, e possa ela ser perfeita como são os seres divinos, permita ó senhor que a escolhida retorne e que a profecia se cumpra. Neste instante, Daomi, grita, um raio corta o céu da mata, os pássaros cantam tão alto como nunca se havia visto, os animais terrestres começam a bradar, os indígenas bradavam, em suas aldeias, e no fundo de tudo uma chuva de prata caia. Do cetro e das espadas uma forte energia saiam em direção aos céus e ao se juntarem formaram um imenso arco-íris que se via por toda a parte, e finalmente, a menina chora, um choro tão alto que mais parecia um brado de vitória, os tambores das tribos ecoaram saudando a escolhida, e anunciando o seu retorno. Daomi adormece exausta , a menina é levada juntamente com a mãe para a
Uma semana se passa e a menina Inajara é consagrada ao Grande Deus das Matas, Rafael retorna e elas ficam na ilha até acabar o resguardo. Ele assume a presidência
Da câmara e começa a trabalhar com todas as suas energias. Rafael dá início aos seus trabalhos na câmara de vereadores, e logo toma medidas que agradam e muito a população. O tempo passa e Daomi e a pequena Inajara retornam da ilha, ao chegarem encontram o quarto de ourives trancados,
Ela estranha, porem manda que a sacerdotisa que veio junto como baba da menina a coloca-se em um cesto em seu quarto. Na hora do almoço, Rafael chega com uma braçada de flores para a mulher, ela fica envaidecido pelo gesto do marido, ele a leva até a porta da sala de ourives e a abre, e para surpresa de Daomi, ele havia transformado o quarto em um belo quarto cor de rosa para Inajara. Feliz com a surpresa, ela imediatamente pega a filha e a leva para lá . O local mais parecia o mundo mágico, cheio de brinquedos, e coisas penduradas no teto um mundo mágico infantil.
Daomi, fica feliz, e passa a se dedicar as atividades da casa, e as da política junto com o marido. Não sem se dedicar a filha, pois não queria cometer os mesmos erros de antes. Um belo dia, batem a sua porta, ele abre e para sua surpresa era seu filho, que se joga aos seus pés dizendo:
__ Minha mãe, como eu custei a chegar até aqui!!, preciso de ajuda, eu consegui fugir, dos Duendes, eles são muito mal, me deixe entrar! . Atordoada ela permite que ele entre, Imediatamente, Inajara começa a gritar e a chorar, a babá a pega no colo e a acalma. Daomi, ouve atenta a narrativa do filho, e com pena dele, o deixa ficar. Arruma uma cama no seu ateliê e instala o menino lá. Mais tarde, ela sai e vai ao encontro do marido, ao chegar na câmara, espera a sessão acabar e vai ao encontro do marido, feliz ela o beija,
ele a olha e pergunta:
__ Porque tanta felicidade?
__ Porque eu recebi um presente do Grande Deus, você não pode imaginar quem está lá em casa, o meu filho, ele consegui fugir dos Duendes.
__ Meu deus, ele está sozinho com a babá ?
__ É está, porque?
__ Eu não te contei antes, para te poupar. Mas vamos, no caminho eu te conto tudo.
No trajeto entre a câmara e a casa, ele contou tudo o que Silvestre havia lhe contado e Daomi se apavorou, porém se negava a aceitar, e repetia, que não podia ser pois ele era um menino. Ao chegarem em casa, ao abrirem a porta e depararam com uma cena horrenda, um homem, vestido como o menino, sugava as energias da sacerdotisa, quando ele os viu, gritou:
__ Não adianta, eu vou acabar com ela, há, há, há, a escolhida, ela não vai atrapalhar meus
planos, eu vou ser o senhor das trevas, e vou governar os dois mundos.
Então , Rafael gritou, e rapidamente se pois a frente da porta do quarto, e gritou palavras de magia, um circulo se fez ao redor dele e a batalha começou, Daomi corre para socorrer a sacerdotisa, Rafael grita:
__ Cuidado, ele pode te pegar!
__ Pode não, já peguei!
E agarrando-a pelos cabelos ri. Daomi então começa a cantar uma canção de ninar, a mesma que ela cantava para ele dormir.
Neste instante ele a solta a começa a gritar:
__ Não , pare, esta musica é horrível, ele esta lutando contra mim, então ela e a sacerdotisa
passam a cantar sem parar cantigas de ninar e de rodas, e ele começa a se transformar em menino, ele Não suporta e sai correndo com as mãos no ouvido e desaparece.
Rafael corre, e pega Inajara no colo, quando Daomi vai pega-la, entre elas aparece o filho a chama-la ,mamãe, me ajude, socorro! Ela vai em sua direção e Rafael
Grita:
__ Não vá, não é seu filho Daomi!
Porem já era tarde, ela como que estivesse em transe seguia em direção a ele, quando chegou junto ao menino, ele a agarrou e a sugou até retirar-lhe toda a energia de vida. Seu corpo cai no chão sem vida, ele então suga a sacerdotisa mais uma vez, e ela cai também sem vida, a cada uma que sugava, ele crescia e se tornava um homem forte, e partiu para cima de Rafael e a menina. Ao se aproximar, Rafael pronuncia palavras mágicas e então, a Menina, ergue seus braços, e de seus dedinhos, sai uma forte energia que envolve Daomi e
A Sacerdotisa, que levantam, vestidas como Duas guerreiras da Deusa das Artes e apontam suas espadas para o monstro, a energia então se multiplica e faz com que ele suma de vez , só ai Rafael pode perceber que o corpo de Daomi e da sacerdotisa, estavam
caídos sem vida, e ao seu lado elas permaneciam em espirito.
Rafael em desespero chora, Daomi o olha e diz:
__ Não chore, pois nós demos as nossas vidas humanas pela vida da escolhida, eu já fiz a minha parte neste mundo, agora eu os protegerei daqui. E você continuará a protege-la daí
e juntos vamos fazer da escolhida um ser forte e pronta para a batalha final . Mas veja bem, ela não deve saber nunca do ocorrido, ela terá que vir por ela mesma ter as lembranças do passado, e retornar a ilha pelos seus conhecimentos de sacerdotisa. Procure Arajani que ela te instruirá como deves agir.
Aos poucos envolta em uma fumaça ela e a sacerdotisa desaparecem. Na ilha, Arajane assiste tudo através da pedra da visão, imediatamente ela ordena que duas sacerdotisas partam para a casa de Rafael para ajuda-lo a criar e proteger Inajara.
Abalado com o desaparecimento de Daomi, Rafael se afasta da câmara e passa a se dedicar exclusivamente ao sacerdócio e a criação de Inajara. O tempo passa e a menina cresce bonita e saudável como uma criança normal passa por tudo que tem que passar, ela faz um ano e seu primeiro aniversário é comemorado com toda a pompa que a ocasião pede, e assim o tempo passa. Ao completar sete anos, ela recebe do seu pai uma bela boneca porem diferente de tudo que existe, ninguém tinha igual, ela é mandada para a escola, e sempre leva a boneca com ela, ela passa a ser companheira inseparável da menina, que com ela brinca conversa e até se faz de médica cuidando como se ela tivesse doente, parecia que ela sabia o que fazia, fingia que operava chamando a atenção de todos. Era muito inteligente, se destacava em tudo na escola.
Ao completar quinze anos , ela pede para seu pai, que quer estudar em um certo colégio, pois lá estudam todas as suas amigas. E atendendo a menina, Rafael a matricula num colégio misto, lá Inajara, é recebida como uma princesa, porém só uma das meninas não se aproxima dela. Ela não percebe, e vai para a sala de aula junto com os novos colegas. Alguns meses se passam, e a cada dia a menina se destacava, as amigas passam a só querer andar a seu lado, pois os meninos a cercam e a adulam mas uma das meninas, de nome Ademis, a olha com raiva, e isolada resmunga:
__ Há, essa sorte vai acabar, isso eu juro, pelo senhor dos Duendes, eu vou acabar com ela.
Ao ver Ademis isolada, Inajara pergunta para Tâmis:
__ Porque Ademis está sempre afastada, eu queria ser amiga dela?
__ Há, amiga dela, acho difícil, ela é tão esquisita, e alem do mais, dizem que ela é bruxa, e que todo mundo que se torna amiga dela, desaparece e nunca mais aparece.
__ Tamis, e você acredita nisso, é claro que são fofocas, esse povo é maldoso. É claro, que eu também acho que ela se veste de maneira estranha, que ela tem um jeito esquisito, mais acho que não passa disso. E quer saber mais, eu vou me tornar amiga dela.
__ Você esta doida?
__ Eu não, e você também vai se tornar amiga dela, vamos até lá.
E puxando Tâmis pela mão, Inajara parte em direção de Ademis; ao se aproximar Inajara diz:
__ Oi Ademis, podemos nos sentar?
__ É claro, o banco não é meu!!
__ Puxa, nós só queremos fazer amizade.
__ Comigo, acho estranho, vocês não sabem o que dizem a meu respeito?
__ Nós não damos
ouvidos a boatos.
__ Eu dou, diz Tâmis.
__ Deixa de besteiras, não seja boba , nós queremos ser suas amigas mesmo.
Se é assim, eu aceito, a partir daí, elas se tornaram amigas, Ademis passou a freqüentar a casa de Inajara e acabou por adquirir a confiança até de Rafael, que havia se tornado um dos mais desconfiados. Numa noite ele sonha com Daomi, que pede que ele tenha paciência com Inajara, e que use seus conhecimentos de mago, para se guiar e guiar a menina . Rafael não compreendeu o que estava acontecendo. Passaram-se alguns dias e Rafael recebe uma
mensagem da ilha o chamando a presença de Arajani, avisou a filha que precisava viajar, deu ordens as sacerdotisas que não deixa-se Inajara um minuto se quer a sós até que ele retorna-se da ilha. Chamou a menina, e comunicou que iria fazer um viagem a trabalho e que ela só deveria sair de casa acompanhada das empregadas; arrumou suas coisas e partiu.
Ao chegar a ilha, Arajani, o recebe com festa, e o leva para dentro da gruta lá eles se sentam e ela diz:
__ Como está bela a minha sobrinha, a tenho visto pela pedra da visão, porem tenho recebido alguns avisos de perigo e já busquei a resposta e não recebi resposta. Por isto mandei lhe chamar, pois precisamos conversar e ver o que está acontecendo.
__ Claro Senhora, eu já esperava seu chamado, pois Daomi, me avisou em sonho que eu deveria ter cuidado, e que a menina corria perigo, mas eu não entendi, ela não faz nada
sem que eu saiba. E as sacerdotisas a vigiam noite e dia, ela chega a reclamar dizendo
que não é mais nenhum bebezinho, que já sabe se cuidar.
__ É , vejo que ela continua a ter uma personalidade forte. Fala a senhora da ilha., mas não foi por isto que o chamei, e sim para ver se nós dois juntos conseguimos ver o que os Deuses estão querendo dizer. Agora vá para a casa dos noviços, se prepare e ao cair da noite, nos encontramos na pedra da visão, eu tenho certeza que se invocarmos juntos os poderes da visão iremos obter a visão de tudo.
Rafael, reverenciando a senhora se retirou, foi para a casa dos noviços onde encontrou um banho de ervas pronto, e seus apetrechos de magia arrumados. Tomou seu banho, mas não quis comer, só bebeu água e comeu pão, e permaneceu em jejum até o momento da magia. Quando começou a cair a noite, ele se paramentou e segui em direção
A pedra lá a Senhora já o esperava juntamente com as duas sacerdotisas mais velhas, deram então início ao ritual e mais uma vez imagens começam a aparecer, no começo
Imagens confusas porem depois eles percebem que é Inajara que aparece , e junto a ela
As duas meninas, só que nas imagens seguinte ela está com uma expressão de medo, e só Tâmis está na cena, ela está caída parecendo morta, e Ademis ri e rodeia as duas.
A senhora pede para que lhe mostrem mais, para que ela possa saber o que fazer . Mudam as imagens e aparece a Senhora e Rafael juntos na casa dele . Logo depois
Desaparecem as visões. A senhora então ordena que eles retornem para a gruta, lá ela se isola na sala do trono, quando o dia amanhecia ela manda chamar Rafael e Jupaná a mais velha de todas as sacerdotisas. Quando eles chegaram ela comunicou aos dois que iria deixar a ilha com Rafael , e que na sua ausência Jupaná seria a Senhora e conduziria a ilha,
E como ela tinha a visão ela poderia controlar as coisas através da pedra, e quando ela visse algum perigo, mandasse um mensageiro para ela . Pegou seus apetrechos mágicos,
mandou que enchessem uma tina com água do lago sagrado. Colocou nas malas uma lasca da pedra da visão. Os dois partiram, ao chegarem a casa , já era noite, Inajara surpresa pergunta ao pai:
__ Meu pai, quem é esta senhora?
__ É uma surpresa, esta senhora é sua tia Arajani, ela me escreveu e eu fui busca-la, pois ela permanecerá por um tempo aqui em casa.
Então é verdade, minha mãe tinha realmente uma
Irmã , só que diziam que ela vivia na tal ilha mágica , ou melhor, a
Lendária ilha do grande Deus, coisa difícil de crer . Porem, se a senhora existe, não posso duvidar. Inajara abraça a tia e diz:
__ Seja bem vinda minha tia, espero que nos tornemos grandes
amigas, agora me de licença, preciso ir dormir, amanhã tenho aula
e preciso acordar bem cedo .
Inajara, beija o pai e se recolhe, Arajani, encantada
Fica a observar a menina sair da sala, o andar era macio, a sua beleza era de chamar a atenção. Porem algo estava errado, só que
ela ainda não conseguiu detectar o que era . Resolveu ir se recolher,
e todos fizeram o mesmo. Na manhã seguinte, logo cedo podia se ouvir as vozes de Inajara e de suas criadas a cochicharem sobre a
inesperada chegada da senhora, a qual elas falavam com muito respeito. Ao sair do quarto, Arajani, se dirige a sala e ao entrar as
sacerdotisas se curvam em reverencia, Inajara, solta uma farta risada, e é recriminada por seu pai, a Senhora, imediatamente, diz:
__ Por favor, enquanto eu aqui permanecer, não quero reverencias
nem cerimonias, pois quem aqui esta é Arajani, a tia e cunhada, a
senhora ficou lá na ilha.
__ Ótimo, minha tia, pois eu não saberia como me portar, é tudo
muito estranho, mais tarde, eu vou querer, saber tudo sobre a tal
lendária ilha do grande Deus, e acho que a senhora poderá me
explicar tudo o que eu quero saber. Agora, vou para a escola, pois já estou atrasada. Vamos Sol, já que não posso ir sozinha.
As duas saíram, e a Senhora permaneceu com a sacerdotisa, e logo depois Rafael entrou, e reverenciou a Senhora.
__ Sem reverencias, a partir de agora, Não quero reverencias, já avisei as sacerdotisas, pois não quero que a menina se sinta pouco a vontade comigo; eu preciso fazer com que ela
tenha confiança em mim para depois sim , no momento certo, eu contarei toda a verdade sobre seu nascimento, e finalmente voltarei com ela para a ilha e a prepararei como manda
o Senhor Deus.
Rafael, concorda, e passa a chama-la pelo nome, e a trata-la de cunhada com
Isto, a menina passou a chama-la de tia Jane. Alguns dias depois, no colégio , Inajara sente a falta de Ademis, e pergunta a Tâmis pela amiga, ela diz que soube por um dos inspetores,
Que a menina encontrava-se acamada, por isso não estava indo a escola. Inajara, propõe irem até a casa da colega, para fazer-lhe uma visita. Tâmis, com medo, aceita, e as duas ,
Driblam a Sacerdotisa Sol, e partem para lá.
O caminho para a casa, era um local escuro, uma pequena estrada, cercada
Por arvores que o faz ser escoro e sombrio, Tâmis treme de medo, enquanto Inajara, ri da amiga.
Tenebrosa, ao lado da casa havia um pequeno bosque, que lembrava as matas dos
Duendes, e Inajara sem saber porque achava tudo familiar, e ria do medo que Tâmis
Sentia . Ao chegarem a porta, bateram, lá dentro, uma voz falou:
__ Quem é?
__ Somos nós, Inajara e Tâmis!!
Imediatamente a porta se abriu, e Ademis apareceu, com um sorriso nos lábios
Vestia uma roupa comprida e negra, os cabelos soltos caiam pelos ombros . mas parecia uma bruxa do que uma menina. Ao entrarem, Tâmis tremeu de arrepio, se agarrou ao braço de Inajara e entraram para um salão logo a sua frente.
Puxa Ademis, eu pensei que eu não ia conseguir chegar até aqui, você está
Melhor, ficamos preocupadas.
__ Há, estou melhor sim, mas adorei que vocês viessem até aqui.
__ Eu estava preocupada, e doida para te contar as novidades, sabe aquela minha tia, que dizem que é a Senhora da Ilha do Grande Deus, pois é, ela está morando lá em casa, menina, ela é o maior sucesso , conta umas estórias que você vai adorar, pois são todas de
magia e de seres mágicos, do jeito que você conta.
__ É mesmo, legal, pena que eu vou ter que fazer uma viagem , e talvez eu não volte,
pois minha avó está muito doente, e eu vou ter que ir para lá ficar com ela e minha mãe.
E quero convidar as duas para virem aqui pois vou fazer uma festa de despedida, vai ser daqui a três dias.
__ está bem, nós viremos, não é Tâmis?
Com a cabeça ela diz que sim, e as duas saem e vão para casa. Ao chegar em
Casa Inajara encontra todos em polvorosa , ao entrar Rafael, briga com ela, pois ela não devia ter feito o que fez, a tia sentada na poltrona a tudo ouvia calada. Inajara vai até ela
Pede auxilio.
__ Por favor tia, me ajude, eu não tive a intenção de colocar ninguém preocupado, eu só
queria poder andar sozinha como qualquer menina da minha idade. Poxa , ano que vem vou fazer o vestibular, e tenho que andar de baba a tiracolo.
__ Calma minha filha, eu sei que você vai fazer 16 anos, mais tente entender seu pai, ele
só quer o seu bem, mas vou conversar com ele e tentar conseguir que ande sem baba.
__ Que bom, a senhora até parece minha mãe , pena que não é. Mas agora eu vou para o meu quarto.
Quando ela saiu, Rafael reclama com a Senhora, e ela diz:
__ Calma Rapaz, caso eu fosse a seu favor eu perderia a confiança dela e não é isto que nós queremos. Veja bem, eu vou dar a ela este cordão, ele foi feito com um pedaço da pedra
da visão, e nós poderemos saber onde ela está através da outra pedra que está em meus aposentos, imersa em uma bacia de prata com água do lago sagrado. Só assim conseguiremos acalma-la e eu terei a sua confiança .
Mais tarde quando a menina saiu do quarto, a senhora a chamou e disse:
__ Sente aqui minha menina, quando você fez quinze anos, eu reservei este cordão para
te dar , ele vai te dar proteção, embora você não acredite, mas sempre que você se sentir em perigo, segure na pedra e peça proteção que ela irá te proteger.
Inajara pegou o cordão e ficou maravilhada com a pedra, ao pega-la, a pedra brilhou e ela se encantou, saiu da sala e foi para o quarto, lá ela coloca o cordão no pescoço
E se olha no espelho, só que ao olhar ela vê a imagem de sua ultima encarnação e se assusta. Gritando ela sai do quarto, ao ver sua tia, ela conta que ao se olhar no espelho,
Ela não se viu e sim a imagem de sua avó .
Arajani, coloca a menina deitada, em seu colo, depois pega em seu bolso um pequeno vidro, abre e passa o líquido em suas mãos, leva as mãos a fronte da menina e
As passa levemente , só então ela começa a cantar uma cantiga da ilha e a sobrinha adormece. Ela a acomoda e a deixa ali adormecida. A noite, quando Inajara acordou,
A senhora estava ali, ao seu lado como se velasse seu sono.
__ Como você está minha filha?
__ É, mas o que aconteceu, como eu pude dormir aqui no sofá, gozado, eu tive um sonho esquisito, eu sonhei que eu era a minha avó Inajara.
__ Deve ter sido por causa do cordão que eu te dei, ele pertenceu a ela, eu havia me esquecido de te contar. Mas não de importância a isto, foi só um sonho, agora vamos,
levante-se daí, tome um banho, e venha jantar, seu pai já deve esta chegando.
A garota saiu, e a Senhora ficou só a sorrir. Rafael entrou e se surpreendeu,
A cunhada a sorrir, coisa que ela nunca havia visto. Ao notar que ela não o notara, a cumprimentou , ela se assustou e se virou bruscamente.
__ Há me desculpe, eu não o havia percebido. Estava aqui envolta com meus pensamentos. Mas depois eu lhe conto, ela pode entrar, e não quero que ela escute nossa
conversa, depois do jantar, logo que ela adormeça nós faremos um pequeno ritual, preciso saber como vão as coisas na ilha e Jupaná estará lá na pedra aguardando nosso contato.
Após o jantar, Inajara se recolheu, e a senhora mandou que sol permanecesse Com ela até o termino do ritual.
No quarto da senhora se reuniram ela, Rafael, e Luamar, a outra sacerdotisa.
A senhora deu início ao ritual e logo as imagens da ilha surgiram no espelho d’água , Jupaná ali aguardava o contato, ao vê-la, a senhora a cumprimenta, e pergunta como estão as coisas na ilha, e no mundo mágico. Ela diz que lá tudo esta calmo, e que os Duendes
Continuam presos na aldeia, mas que a pedra não para de mostrar imagens da escolhida
Em sua forma antiga, e que ela não compreende.
A senhora pede que ela não se preocupe, e que se houver algo de diferente que ela se comunique. Assim ela termina o ritual.
Os dias passam e Inajara fica inquieta, anda de um lado para outro e a senhora
Percebe e fala:
__ O que você tem minha menina, está tão inquieta, me conte?
__ É que, hoje, eu tenho uma festa para ir na casa de uma colega que vai embora do
colégio , e eu acho que meu pai não vai deixar eu ir.
__ Porque sofrer por antecedência, você tem que pedir a ele e ver o que ela vai dizer. Se ele
não deixar ai sim terás motivo para ficar chateada.
__ É, a Senhora tem razão, eu vou falar com o papai. Papai, papaizinho, quero lhe falar.
Ela corre até a oficina do pai e lá pede a ele que a deixe ir a festa, ele permite
E a menina sai radiante.
Ao chegar na casa de Ademis, Inajara e Tâmis batem a porta, a amiga as chama para o lado da casa, no bosque, lá ela já havia armado um verdadeiro altar de
Sacrifícios, quando as duas lá chegaram, Tâmis fica assustada, e Ademis a olha e pronuncia algumas palavras e a menina desmaia. Neste momento a pedra do colar de Inajara começa a brilhar, e Ademis se esconde e grita, sua maldita, tire isso daí, eu preciso completar as minhas obrigações Inajara assustada, corre para acudir a amiga caída, quando ela se distrai
Ademis vem pela suas costas e a pega pelo cabelo e a joga dentro de um circulo feito de
Pedras de enxofre, ela não consegue sair de lá. Ademis grita:
__ Senhor, eu consegui, prendi a escolhida, da mesma forma que eles o prenderam na aldeia, Agora, vou sacrificar essa outra, e aumentar o meu poder, e depois farei a magia
de troca, e a escolhida irá para o seu lugar e o senhor virá para o dela.
Neste momento uma forte rajada de vento se deu, Inajara com muito medo, se lembra das palavras de sua tia , e segura o cordão e mentalmente pede socorro. A pedra começa a brilhar clareando todo o local, Ademis corre para traz de um imenso pano preto
Que cobria uma mesa de pedra. Neste momento a pedra na casa de Rafael começa a brilhar, e ilumina todo o quarto, Luamar vê e chama a Senhora que corre para lá na companhia dela de Sol e Rafael, ao chegar viu através do espelho d‘água as imagens que
A pedra da visão havia mostrado antes. Imediatamente ela pede ao senhor Deus das Matas que a permita ter contato com a ilha e a imagem de Jupaná aparece, ela ordena que a Sacerdotisa, abra o portal mágico para o local onde a escolhida está, e através dele eles passam, Quando o portal se abre ao lado de Ademis, ela se assusta, a senhora sem dó pronuncia as seguintes palavras:
__ Taca oquê , Taca menguê , onirá , oniré, e erguendo a mão, a menina se transforma em uma das bruxas mais poderosas do lado negro da ilha. O circulo se desfaz e Inajara corre para os braços do pai, Neste momento, a bruxa Ademis, corre com o punhal na mão e tenta
acertar o coração de Tâmis mas a senhora ergue os braços e grita:
__ Baque oquê, Onirá He, e a menina é cercada de uma energia e começa a levitar.
A senhora pega em uma bolsa na sua cintura joga no ar um pó prateado que cai sobre a cabeça da bruxa e ela desaparece aos gritos. As sacerdotisas pegam Tâmis e todos voltam para a casa de Rafael, lá as meninas são colocadas nas camas do quarto da escolhida, e a senhora passa um liquido sobre a fronte das meninas, e fala:
__ Pronto agora elas nada lembraram, só terão uma vaga lembrança do acontecido.
Na manhã seguinte, as meninas levantaram logo sedo, Ademis fica assustada,
Como eu vim parar aqui, e a minha família, eles devem estar apavorados, a menina sai do
Quarto e Arajani ao vê-la foi logo dizendo que já havia avisado a família dela na noite passada que ela dormiria lá. A senhora esperou Inajara sair do quarto e se sentou a mesa com as duas e tomaram o café, ao terminar Inajara pediu que a Tia contasse o que estava acontecendo, pois elas não conseguiam se lembrar do que havia ocorrido ao certo. Ela olhou para as duas meninas, e disse:
__ Tudo que aconteceu, foi amenizado, por isso vocês não se lembram de tudo só de alguns fatos, porem na hora certa e no momento adequado, tudo será esclarecido. É só o que eu posso dizer por enquanto. Vamos dar tempo ao tempo, pois as duas terão uma missão a cumprir juntas; mas eu peço que não comentem nada com seus pais, Tâmis.
O tempo foi passando a vida correndo as meninas entraram na faculdade de medicina e lá Inajara se destacou mais uma vez e se formou como a primeira aluna da classe seguida de perto por Tâmis.
Na formatura para surpresa de Inajara ela recebe as chaves do ambulatório de
Sua avó, para que comece a clinicar, surpresa ela resolve que vai atender a todos que a procurem podendo ou não pagar, e convida a amiga para dividir o ambulatório com ela.
No dia seguinte ela vai até lá, e ao entrar sente uma estranha sensação, e quando entra no consultório, abre a janela, olha através dela e percebe que foi ali um dia Que ela havia começado sua vida médica.
Epilogo
A descoberta do passado,
Inajara assume o comando .
Com a formatura, e as coisas andando como ela esperava , Arajani se acomodou com a vida na casa, porem na ilha nem tudo ia bem, Jupaná, embora fosse a mais antiga das sacerdotisas, não tinha os dons que uma grande senhora deveria ter, se aproveitando disto os duendes das trevas, chefiados por Lucian, o menino filho de Daomi,
Que agora já totalmente transformado num ser maligno, consegue se libertar do circulo mágico, e da início a uma guerra , ele aprisiona alguns seres e outros por medo passam
A ajudar.
Os sinais do Grande Deus eram muitos, porem Jupaná não conseguia ver,
Por várias vezes foi até a pedra da visão não conseguindo ver. Como ela não obteve êxito
Mandou um mensageiro até a casa de Rafael, no caminho o mensageiro é aprisionado, e outro é mandado em seu lugar, ao chegar a mensagem dizia que Jupaná e a ilha corriam
Perigo, pois Lucian havia se libertado, e que só um caminho estava liberado, era o caminho
Secreto para ilha. Imediatamente, Arajani se paramentou e junto com o mensageiro partiu para a ilha, se despediu das sacerdotisa e de Rafael, porem antes deu a Rafael uma pequena sacola com alguns apetrechos de magia, os quais pertenceram a Inajara, e pediu para que ele entrega-se a bolsa a sobrinha só se viesse acontecer algo de errado com ela e com a ilha.
No caminho a senhora sentiu-se um tanto o quanto incomodada, mas achou ser
Devido ao calor, ao entrarem no caminho que levava a ilha, foi surpreendida por Lucian e um bando de duendes das trevas que a aprisionaram e a levaram para uma gruta escura e
Sombria. Lá encontrou uma pedra de granizo preto com velas acesas e ao fundo uma pedra negra parecida com a pedra da visão, só então pode perceber que aquele lugar era
A ilha negra, na qual os antigos falavam.
O local, era o outro lado da ilha, um lugar onde os seres não penetravam ,
Pois a muitos séculos passados , quando a ilha era comandada por um grande sacerdote
E este governava tranqüilo, um dia ele recebeu do Grande Deus a incumbência de dividir
O comando da ilha com uma jovem sacerdotisa que com ele se casaria no ritual sagrado,
Ele obedeceu, e fez o casamento, porem ela teve dois filhos, uma menina, que seria a escolhida, e um filho que deveria ser um simples sacerdote, com o passar do tempo, a menina se tornou uma bela mulher, e o rapaz tinha os traços dos duendes das matas, invejoso, ele sempre fazia tudo para impedir o desenvolvimento da irmã, quando ela foi
Levada juntamente com ele a presença do Sr Deus, para serem finalmente consagrados como
Sacerdotisa e Sacerdote, ela foi anunciada pelos seres mágicos como a escolhida, o irmão
Não aceitou e com um único golpe de machado tirou a vida da escolhida, imediatamente
O Sr Deus dividiu a ilha, e o mandou para o lado negro, ele recebeu o nome mágico de Lucian, o Sr das trevas, e lá ele permaneceu até hoje, ocupando os corpos que a ele eram dados em sacrifícios, e só conseguindo de lá sair quando a ele era dado o corpo de um
Menino com menos de sete anos, só assim ele poderia andar no mundo real exercendo
O mal.
Após ser criado o lado negro da ilha, o Sr. Deus ordenou que a partir daquele momento a ilha só poderia ser governada por mulheres, que fizessem parte da linhagem das mulheres de sangue nobre, até que a eleita pudesse retornar ao convívio e ao comando
da ilha .
Ao perceber onde estava, ela se deu conta, de que todos e tudo corriam risco,
E que principalmente a escolhida poderia mais uma vez não assumir o comando dos seres mágicos como preconizou o Sr. Deus .
Assustada, ela procura não demonstrar, e enfrenta Lucian de maneira firme e
Forte, tirando do auto do seu medo forças para tentar vencer mais uma batalha, quem sabe
A batalha final. Olhando firme e com voz austera Arajani fala:
__ Como se atreve, prender a Senhora da ilha neste local, a ira do Sr. Deus das Matas mais
uma vez cairá sobre ti.
__ Cala-te Ho Mulher, Aqui eu sou o senhor Deus, o todo Poderoso, e não admito que ninguém me de ordens. Tu ficarás aqui presa, e eu a sugarei as energias até, não teres
mais uma gota de energia vital, e com a sua magia, enfrentarei os seres do outro lado, e os
derrotarei, e depois terei o prazer de mais uma vez destruir a escolhida nesta nova forma
que ele a deu.
__ Você não conseguirá , o Sr. Deus não permitirá, e o eliminará.
Lucian pega a bolsa de apetrechos mágicos, e usa contra a senhora, neste momento um forte raio sai das mãos de Lucian em direção da senhora, e ele passa a drenar
As energias dela.
Na ilha , o céu escurece, Jupaná corre com algumas sacerdotisas para a pedra da visão, lá ela vê que a senhora está presa no lado negro e tenta solta-la através da magia
Mas sua tentativa é em vão, na ilha o dia vira noite, e seres negros começam a cercar a ilha,
Jupaná, manda duas Sacerdotisas irem correndo até Rafael, só que elas descobrem que não poderão sair da ilha pelos caminhos normais, e Jupaná, se ajoelha perante ao altar sagrado
E suplica ao Sr. Deus que permita mais uma vez que o portal seja aberto, e imediatamente,
um portal de luz se forma e as sacerdotisas o atravessam . Jupaná, logo após é surpreendida por um ser que tenta aprisiona-la , mas do céu um raio o derruba, Jupaná então, refaz as guardas invisíveis da ilha .
Na casa de Rafael, ele é avisado da prisão de Arajani e da invasão da ilha.
Rafael então, manda chamar Inajara no ambulatório, ela vem e é surpreendida com as novidades, Rafael então, explica tudo o que está acontecendo , e diz que só ela poderá salva-la.
Inajara, pega os apetrechos de magia que seu pai lhe deu e se tranca no quarto, lá ela retira da bolsa os apetrechos e percebe que lá há um espelho e ao olha-lo,
ela percebe que a imagem de sua tia .
__ Não se assuste, terei que lhe falar rapidamente, estou presa no lado escuro da ilha,
você minha filha, é uma sacerdotisa pronta para assumir o comando da ilha, na sua ultima
encarnação, você foi assim preparada, mas não consegui cumprir seu destino, por isso
foi trazida de volta. Mas isso eu lhe contarei depois, pois se faz necessário que você se lembre de tudo agora.
Pegue o vidro e passe o liquido nele contido na testa, e depois acenda o incenso que ai se encontra, depois se deite e cruze as mão sobre o peito, você deverá
Adormecer, e será levada a saber tudo o que necessita . Agora vá, não posso mais falar, estão me retirando as energias.
A imagem de Arajani some, Inajara chama mas não adianta, ela grita e Rafael e as sacerdotisas entram e a acalmam. Ela é deitada e é dada a ela o vidro, ela passa o líquido na testa e as sacerdotisas acendem o incenso , ela adormece e todos saem e a deixam adormecida.
No dia seguinte, ela levanta e se veste com roupas de sacerdotisa, quando sai do quarto todos fazem festa, Rafael a olha e vai em sua direção . então Inajara fala.
__ Porque estão tão abismados, é isso mesmo, eu agora sei quem eu sou, o que fui e o que
tenho de fazer; mas vou precisar de todos vocês, pois só nós juntos conseguiremos a vitória na batalha final.
Pai, você deve se licenciar da Câmara, as senhoras deverão se preparar como para um grande ritual de alta magia, eu fui preparada esta noite, vou me licenciar do ambulatório, e partiremos logo a seguir. Mas não podemos fazer magia para chegar a ilha,
teremos que ir por caminhos secretos, apesar de estarem todos vigiados pelos duendes
das trevas, porem os duendes brancos nos encontraram pelo caminho. Assim me foi dito esta noite durante o sonho que tive. Agora vamos, temos muito o que fazer, e as 6 horas devemos todos estarmos prontos para a partida.
Todos partiram para cumprir suas obrigações, e na hora determinada lá estavam todos. Rafael, vestido de sacerdote como se vestia os antigos sacerdotes, Inajara
Paramentada como uma sacerdotisa guerreira e as outras também prontas para a batalha.
Deste modo partiram em direção as matas.
Chegaram a entrada das matas, ao amanhecer, Inajara os levou por um caminho que permitiu que eles chegassem as ruínas da aldeia dos Guaiunas, no local,. podia-se ver alguns esqueletos de guerreiros com armas em suas mão, Inajara rapidamente, mandou que formassem um circulo em torno deles, e fez a invocação.
__ Das profundezas da mãe terra, invoco as forças dos seres que nela sucumbiram,
com as forças das matas, chamo os seres mágicos que a habitam, e peço ao Sr. Deus
da criação que permita que meus guerreiros voltem a vida.
Dos céus, uma luz muito forte cai sobre a aldeia, as águas do lago se transformam em vapor formando uma imensa nuvem branca que toma a aldeia; neste instante os esqueletos começam a tomar forma e carne, e se levantam, de todos os cantos das matas saiam guerreiros e guerreiras Guaiunas que param a frente dela e a saúdam.
Rafael e as sacerdotisas ficam de boca aberta perante tal magia. Inajara faz um sinal com a mão e todos a seguem, derrepente ela para enfrente a uma grande pedra, e diz:
__ Que se abra as portas da morada da grande senhora das Matas, ( e uma grande porta
se abre na pedra.), Que venha se juntar a nós a grande Senhora com toda a sua força e
conhecimentos mágicos.
A senhora da Ilha, surge como num passe de mágica, vestida com seus trajes de guerra.
Ao surgir a grande senhora, todos se curvam perante ela, menos Inajara que a ela estende a mão, as duas erguem as mãos e todos se levantam. Só neste momento a senhora fala:
__ Com a junção dos poderes do mundo dos vivos e do mundo dos que já deixaram este mundo, e com a força da escolhida, iremos a guerra, esta será a batalha final,
Só um vencerá, e só vencendo o poder das trevas é que nos conseguiremos as bênçãos do Sr. Grande Deus das Matas e da Criação. E no final a escolhida será finalmente coroada rainha da Ilha e senhora dos seres mágicos das matas como ordenou o Sr. Deus a muitos séculos atrás.
Ela levanta as mãos e um portal de luz se abre do outro lado surge a ilha, onde Jupaná e as outras sacerdotisas as esperava, quando as duas passaram pelo portal as sacerdotisas começaram a entoar um cântico de louvor a senhora, e assim estiveram a cantar até o ultimo ser por ali passar. Com a passagem do ultimo guerreiro, a senhora indica O caminho para o lado negro da ilha, ao chegarem a entrada do portal que dividia os dois Lados, perceberam que do outro lado estavam Lucian e os duendes das trevas. Imediatamente Lucian ordena que tragam Arajani, que fraca é carregada até a presença dos Presentes. Então ele ordena:
__ Tenho a senhora da Ilha presa sob o meu comando, tragam a escolhida até mim e pouparei a senhora e aos demais.
__ Nunca , ( diz a grande Senhora.), ordeno em nome do Grande Deus das Matas,
Arajani una-se a mim, e uma só seremos em nome do Grande Deus.
Imediatamente Arajani se ergue e seu corpo se une ao da Senhora,
Elas passam a ser uma só em corpo e alma, Lucian grita como um bicho, e os Duendes
Das trevas partem para o ataque, os Guaiunas, tomam a frente e a batalha é deflagrada.
Truques de magias são feitos por Lucian, que transforma Duendes em enormes bichos,
em contrapartida a Senhora revidava com truques de magia branca, fazendo com que
os Duendes vencessem.
A batalha já durava dias, Inajara fraca se retirou e se recolheu, sem perceber
que na tapera, na qual ela se refugiara, havia alguns duendes escondidos, quando ela adormeceu, eles a aprisionaram num grande circulo de magia. Imediatamente eles a levaram presa para o campo de batalha, lá Lucian anunciou a todos que seus guerreiros haviam prendido a escolhida. Ao chegarem com ela presa, todos pararam, e ficaram a olhar. Rafael ao ver a filha presa, se entrega, em troca de que soltem ela, ele é aprisionado
e levado para o outro lado. Inajara grita , mas não adianta. Pouco a pouco, os guerreiros vão sucumbindo e desaparecendo. Finalmente Lucian fala:
__ E agora Senhoras, onde está o seu Deus, onde está a sua sabedoria, mais uma vez,
eu vou vencer, só que desta será para sempre, e finalmente as trevas reinaram.
A Senhora ao ver Inajara preza, grita aos céus, ó Deus onde está você, que permite que um ser tão viu, domine o seu reino, e destrua a sua escolhida, eu não fiz tudo o que fiz em seu nome para que ti permitisse que tudo se acabasse assim.
__ Cale-te, mulher, pois não adianta, ele te abandonou.
__ Não, ele não pode me abandonar.
nos derrote, mas nada acontece, então ela lembra que aquele corpo que está sendo usado
por Lucian é de seu irmão, e como ultima tentativa, tenta apelar para os bons sentimentos do menino. Você não é mau, você é um menino, é meu irmão, temos o mesmo sangue, reaja
não deixe ele te dominar,.
__ Cala aboca, Escolhida, você não vai conseguir.
__ Continue,(grita a Senhora), ele vai ceder.
__ Não, ele não vai conseguir, me dominar, pois eu sou mais forte que essa criança.
Inajara continua e quando o menino estava quase vencendo, Lucian num gesto de desespero, se agarra a senhora, e a envolve em uma teia negra, e começa a sugar as energias de Rafael, Inajara no auge do seu desespero, se concentra e busca forças do fundo do seu ser, ela arrebenta o circulo que a prendia, o céu escurece ela começa a levitar, e sobe
alem deles . Ao ver o que estava acontecendo, as sacerdotisas começam a cantar o cântico
das matas, Lucian, sugando as energias de Rafael e aprisionando as Senhoras no casulo, de teia negra, tenta mandar raios em direção de Inajara.
Inajara, começa a se transformar, e toma a forma da Deusa guerreira, com um arco de ouro nas mãos, diz:
__ Lucian, esta é a batalha final, a dois milênios você me deferiu um golpe fatal, e no livro do destino, ficou escrito, que a escolhida, voltaria, e que numa ultima batalha, onde só nós dois frente a frente nos enfrentaríamos. O momento é este, Se levante, e tome a sua forma
original, e venha para a batalha, só nós dois e mais ninguém.
Lucian, começa a gritar, e cai, derrepente, ao lado do corpo do jovem menino, levanta-se um belo homem, loiro de olhos muito azuis, forte, com os músculos a vista
Nas mãos um machado de prata e uma espada de fogo. Ele se eleva as alturas, até ficar na
Mesma altura que a escolhida. Ao se igualarem, ela diz:
__ Que seja feita a vontade do Sr. Deus das Matas, que vença aquele que for mais forte, nesta luta do bem contra o mal só um vencerá.
Inajara pega o arco e manda uma flecha de ouro, Lucian manda de sua espada
Uma rajada de fogo; quando as duas energias se encontram um forte clarão se faz, todos
Que assistiam ficam sem enxergar.
Quando a intensidade da luz se desfaz só Inajara flutuava, e Lucian havia desaparecido. Lentamente ela vai descendo até pisar o solo; quando toca o solo, ela volta a forma normal, dos céus uma chuva dourada cai e vai desfazendo o casulo onde as senhoras estão. Rafael recupera as forças e se levanta, e o menino irmão de Inajara finalmente se vê livre de Lucian.
Ao fim da chuva a senhora, ergue os braços e Arajani e ela se separam, então a senhora diz:
__ A batalha acabou, agora a escolhida poderá finalmente tomar o seu lugar na ilha e no mundo .
__ Calma senhora, não será tão fácil, lembre-se, que muito eu tenho que aprender nesta nova vida, embora eu traga em meu espirito uma carga de conhecimentos, ainda não estou pronta .
Inajara, anda até o Irmão, estende a mão e o levanta. Ela pergunta a ele:
__ Como é seu nome?
__ Meu nome, é , é, eu não me lembro, mas eu gostaria que fosse, Arauá
__ Pois bem, assim será. A partir de agora todos o chamaram desta maneira.
__ É só que eu queria ficar com os meus amigos os duendes das matas, agora que ele já não existe mais.
__ Senhoras, o que acham, por mim, eu concordo.
As senhoras da ilha fazem com a cabeça que sim e ele é levado para a aldeia dos duendes das Matas. Todos vão aos poucos se retirando até que só ficam , Inajara, a Senhora, Arajani Rafael e Jupaná. A senhora os olha e diz:
__ Agora, devo voltar para o meu lugar.
__ Não, com todo o respeito, mas nós Arajani e eu precisamos de sua presença aqui até que eu possa assumir o comando da ilha, os seus conhecimentos são primordiais para que eu possa entender tudo o que se passa aqui e lá no mundo real.
__ Se o Sr. Deus das Matas ordena, que eu volte a este mundo, e nele permaneça por mais
algum tempo, o meu descanso pode esperar.
__ E você minha tia, eu sei, o quanto aquele ser a prejudicou, e que sua aparência mudou,
nesta batalha, tudo o que aconteceu nos marcará para sempre. O seu envelhecimento, não
posso mudar, mas sabemos que a renovação do seu ser, se fará com o passar dos dias e junto com a Grande Senhora farão desta ilha , novamente o que ela sempre foi.
Imediatamente todos caminharam para a gruta da Senhora, lá se recolheram
E descansaram até o dia seguinte. Pela manhã, reuniram-se todos a mesa do café para decidir o que fazer. Depois de muito debaterem, ficou decidido que, Inajara voltaria com Rafael, e Sol, e lá permaneceria até ter ajeitado toda a sua vida e então voltar para ilha
para ai sim se preparar para a consagração e assumir o comando da ilha na qual ela deverá permanecer por um período de sete anos após a consagração. E ai ela partiria para o mundo real e partiria para a luta de assumir o comando dele.
Naquele mesmo dia ela e os outros partiram para o mundo Real, ao chegar,
Ela foi direto ao ambulatório ter com a amiga Tâmis, e a contou tudo o que aconteceu, neste tempo que esteve fora, Tâmis, não consegue compreender como ela conseguiu passar tanto tempo fora e, e contar tudo o que aconteceu com tanta calma. No dia seguinte, Inajara
chama a amiga e comunica a ela, que ela deverá assumir a direção do ambulatório pois ela
deverá ficar um longo tempo fora e que qualquer coisa que ela precise fale com Rafael, pois ele terá como se comunicar com ela. Abraçou a amiga e se retirou-se a deixando sem entender o que estava acontecendo.
Ao chegar em casa ela encontrou tudo pronto e imediatamente partiu para a
Ilha para que se cumprisse o destino. Ao chegar na ilha ela é recebida com festa, por todos, e é conduzida como uma perfeita rainha como deveria ter sido no passado.
Inajara foi direto a casa das noviças, e lá permaneceu em total reclusão por
trinta dias, ao final deste período ela é levada para a gruta da mata, local onde ela deverá aprender a sobreviver sozinha, e também deverá aprender a se comunicar com os animais das matas. Lá A Senhora e Arajani, explicaram-na que a cada mês uma delas lhe daria uma tarefa diferente, e a cada tarefa o grau de dificuldade será maior, até que ela chegue
a tarefa final, e só depois da tarefa final ela poderá passar pela prova de fogo e provar definitivamente que é capaz de ser chamada de a escolhida.
A senhora, olhou bem fundo nos olhos dela e falou:
__ Minha filha, você a partir de agora terá que aprender a lidar com as energias que habitam a natureza e o interior dos seres humanos, controlando-as, e usando-as em benefício dos seus semelhantes com amor, pois só através do amor, você conseguirá chegar
ao coração dos seres vivos.
A arte da magia, você passou a dominar quando se fez sacerdotisa, na sua ultima vida, e agora deverás aprender como associa-las as forças naturais do ser. Este é o
primeiro obstáculo a ser vencido.
As duas saíram e a deixaram só a pensar, na gruta, ela pode observar que tinha a seu dispor, uma cama feita de troncos largos e coberta por uma esteira feita de palha de coqueiro, uma mesa que deveria ter sido um grande carvalho que foi cortado,
um banco feito de bambu , no fundo, um fogão de lenha que também servia de lareira para
o aquecimento do local. Encima da mesa havia alimentos para aquela noite, e para o café da manhã, ela percebeu que para os demais dias ela teria que tirar da natureza o próprio sustento.
Envolta com as coisas que observava, ela nem percebeu que a noite caíra sobre a mata, ao perceber, acendeu as tochas que ficavam presas nas paredes e as acendeu, sentou-se a mesa, e fez sua primeira refeição ali na sua nova moradia, ao terminar, ela pegou uma das tochas e saiu da gruta, a fixou-a no chão. Sentou-se em uma pedra e ficou a
observar os barulhos que eram feitos ao seu redor. No início, teve medo, porem depois
foi lentamente aprendendo a dominar este sentimento.
Na manhã seguinte, cheia de coragem e certa de que conseguiria encontrar comida, ela partiu para explora os arredores, e aproveitar para ir conhecendo os seus próprios limites. Logo ao sair da gruta, deparou-se com uma tigresa deitada bem a porta da gruta. Inajara para, a tigresa calmamente se levanta e sai andando vagarosamente. Ao ver tão belo animal, andar, ela pode perceber o quanto aquele bicho era solitário.
O animal, parou a alguns metros da entrada, sentou e ficou a olha-la de maneira fixa, com isto, pode perceber, que se usasse o poder do seu magnetismo associado ao seu coração conseguiria se aproximar da “fera”, e foi assim que ela consegui depois de
Muito tentar se aproximar .
Ao chegar perto do animal, deu a sua mão para que ele a cheirasse, logo após acariciou a cabeça da fera, que mais parecia um gato grande. Sentou-se ao lado da tigresa e ficou a admira-la, como era bela, depois de algum tempo, seu estômago doeu de fome, e sem perceber ela falou para o animal:
__ Puxa!, estou com fome, e você?, não está? , creio que sim, precisamos arranjar comida.
A tigresa, levantou-se e saiu correndo, apesar dos apelos de Inajara. Logo ela se distanciou, e Inajara saiu a pegar frutas silvestres para comer. Colheu algumas frutas e raízes, que ela sabia serem comestíveis, depois colheu algumas raízes para chá e remédios caso precisa-se. Voltou para casa e lá fez seu dejejum. Ao acabar, percebeu um barulho do lado de fora da gruta, foi ver o que estava acontecendo, e se espantou ao ver a tigresa com uma lebre na boca, logo que ela chegou a bicha o largou no chão e com o focinho o empurrou em direção a Inajara.
Amiga, você foi caça para mim?, muito obrigado, vou prepara-la para nós duas, e depois eu vou fazer um arco e flechas igual aos que aprendi com os Guaiunas, e ai, nós duas poderemos caçar juntas.
Inajara pegou a lebre, a preparou e depois a assou num espeto feito de um galho de arvore, depois de comer ela guardou o que sobrou e acompanhada de sua amiga, foi até um banbusal cortou alguns bambus e voltou para a gruta. La ela passou toda a tarde confeccionando um arco e algumas flechas. Quando terminou, ela olhou e disse:
__ Pronto, amiga, amanhã bem cedo podemos sair para caçar ou pescar. Agora vou descansar e observar esta natureza tão bela e que vai muito me ensinar.
Desta forma ela passou os dias a observar e a conhecer suas forças e aprendendo a usa-las de acordo com as forças da natureza .
Os dias se passavam e ela se tornava cada vez mais forte, e a cada mês, ela recebia a visita das senhoras da ilha que lhe davam uma nova tarefa.
Um ano se passou, e ela aprendeu a conhecer o som de cada bicho e com eles conversar e deste conhecimento ela passou a receber informações sobre tudo o que acontecia na grande mata, quando algum ser se aproximava logo dona Águia que tudo via durante o dia e D. Coruja a noite vinham e a comunicavam. Inajara passou a dominar todo o conhecimento que precisava, e a conhecer todos os elementos da Natureza e do ser humano e a combinar estes dois conhecimentos em um só.
Numa bela manhã, Inajara praticava com algumas pedras, as quais ela tentava erguer com a força de sua mente e as lançava dentro das águas da lagoa quando a água que ali sobrevoava posou em seu braço e ela respondeu;
__ Obrigada minha amiga irei imediatamente.
Ela logo partiu em direção a gruta, chegando lá uma comitiva a esperava. Foi comunicada que seu aprendizado era chegado ao fim e que deveria regressar com eles até a ilha. Se arrumou e pegou alguns instrumentos pendurou em suas costas o seu arco e sua flecha, chamou a tigresa e partiram com a comitiva de seres mágicos e sacerdotisas.
Chegaram há ilha já ao cair da tarde, foram recebidos pelas senhoras e por Rafael que ao ver a filha a abraçou com muito fervor.
Inajara abraçou sua tia e a velha senhora e foi a velha senhora que falou;
__ Muito bem, agora você irá para a casa das noviças e lá descansará até que sejas convocada para a cerimonia de coroação.
Assim foi feito, na casa das noviças ela permaneceu por sete dias e seis noites, ao cair da tardc ela foi notificada que seria preparada para a cerimonia de coroação que se iniciaria com o cair da noite e iria até o amanhecer e que com a alvorada a cerimonia terminaria.
Imediatamente um banho de purificação foi preparado, ela o tomou, vestiu as roupas a ela dada, era um vestido branco, com uma faixa dourada que saia do ombro e circundava o corpo dela até ser presa no mesmo ombro na parte das costas, as noviças prenderam os cabelos da escolhida e os enfeitaram com pentes de ossos cravejados de pedras preciosas, quando ficou pronta, foi conduzida pelas noviças que cantavam o cântico da grande Deusa da Criação.
Ela foi conduzida até a montanha sagrada, no caminho que levava ao topo era iluminado por grandes tochas acesas e lá um grande circulo formado por sacerdotisas e pelos seres mágicos. Ao centro estavam a velha senhora e Arajani. Ao chegarem ela parou, A Velha senhora gritou;
__ Salve a escolhida, Viva o grande Deus!
E todos erguem os braços e gritam , Via1, Viva!, Viva!, Inajara é conduzida ao centro e a Senhora diz;
__ Ho senhor Deus, aqui está a sua escolhida.
Arajani, Pela autoridade a nós duas conferida, invocamos a grande magia, e que se cumpra a profecia, e a vontade do Grande Deus.
__ A senhora. Que o Senhor Deus permita, que a sua infinita luz dessa sobre nós.
Neste momento uma forte luz cai sobre todos, Inajara é envolta em uma nuvem que é elevada até o alto , lá ela surge como uma pintura, nas mãos o arco dourado da Grande Deusa, e a espada de fogo do Sr. Deus, ela desce lentamente e ao tocar o solo, o dia amanhece e uma revoada de pássaros se faz, os animais da mata gritam e os seres dão viva a nova senhora, com as graças do Sr. Deus.
A senhora então, se despede e aos poucos vai desaparecendo até que some no infinito. Arajani reverencia a sobrinha, e depois se despede dizendo:
__ A saúdo ó grande Senhora da ilha e do mundo Real, tu fostes a escolhida para que com a sua sabedoria, unisse os dois mundos e neles governasse com sabedoria e bondade, e neste momento eu me despeço pois vou me recolher a casa das noviças onde permanecerei até que eu seja chamada a presença do Sr.
__ Não minha tia, a senhora permanecerá junto a mim, pois quando for chegada a hora de eu partir para o mundo real a senhora deverá aqui permanecer para me auxiliar na união dos dois mundos, enquanto isso, nós aqui permaneceremos a observar, o outro lado pela pedra da visão. Que os demais seres deste e do outro lado sigam o seu destino, que nós seguiremos o nosso.
E assim foi feito, e tudo seguiu calmo, até o dia que ela seja mais uma vez chamada à lutar pelos seres que dela precisar.